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A serviço da vida plena para todos

11° Plano_2

O 11º Plano de Pastoral – “Arquidiocese de São Paulo, testemunha de Jesus Cristo na Cidade” traduz o propósito da nossa Igreja particular neste imenso e complexo mundo, que é a metrópole paulistana: ser testemunhas de Jesus Cristo, conforme sua recomendação aos discípulos: “vós sereis minhas testemunhas” (At 1,8).

Para isso, devem concorrer a vida e a ação da nossa Igreja, tudo o que somos, temos e fazemos, nossas organizações e instituições e também todo o nosso patrimônio espiritual, material e cultural: nossos templos, obras sociais, escolas, colégios e universidades, meios de comunicação e mídias sociais… Tudo o que faz parte da Igreja deve estar a serviço da sua vida e missão.

O Plano de Pastoral para 2013 a 2016 é um instrumento pedagógico destinado a nos ajudar a dar mais eficácia à missão de testemunhar Jesus Cristo na cidade. Nele estão expostas as seis “urgências pastorais”, que agora merecem nossa atenção especial. Em 2014, trabalhamos para fazer da Igreja “casa de iniciação à vida cristã”. Isso caracteriza a missão da Igreja sempre; neste ano, porém, nos demos conta de quanto essa tarefa é urgente e como precisamos estar atentos aos métodos e ao planejamento, para que a iniciação à vida cristã, de fato, aconteça.

Em 2015, vamos confrontar-nos com esta outra urgência: ser uma Igreja “a serviço da vida plena para todos”. De fato, Jesus Cristo é “o caminho, a verdade e a vida” e veio ao mundo “para que todos tenham vida e a tenham plenamente”. Ele confiou aos discípulos e à Igreja a missão de testemunhar e proclamar o Evangelho da vida e da esperança a todos os povos.

Na cidade de São Paulo, a Igreja defronta-se com numerosas situações onde a vida e a dignidade das pessoas são duramente desrespeitadas: na miséria, pobreza material e moral; na violência e injustiça, na falta de oportunidades e condições para uma vida livre e digna. Mas, também, onde há dependência de vícios e outras adicções, onde há discriminação que ofende e fere, onde se exploram as pessoas como se fossem objetos em função do interesse e do lucro.

Somos desafiados a estar a serviço da vida plena para todos onde se mata ou se impede de nascer, onde há doença e abandono de pessoas em situação de vulnerabilidade; onde a família, “santuário da vida e do amor”, passa por dificuldades; onde há jovens sem perspectivas de futuro; onde se degrada o ambiente da vida, o ar, a água, a terra, o verde, sem lembrar que esta casa comum, com seus recursos, pertence a todos e ainda deverá abrigar a muitos depois de nós…

Em 2015, a Campanha da Fraternidade vai tratar do tema “Igreja e Sociedade”, tendo como lema – “eu vim para servir”. A arquidiocese de São Paulo, ao longo do ano inteiro, estará em plena sintonia com o convite da Campanha, para sermos uma Igreja que não se volta apenas sobre si mesma, mas que está atenta e aberta àquilo que se passa ao seu redor, disposta a dialogar com todos para melhor servir o homem, em nome de Cristo, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida pela redenção da humanidade (cf Mc 10,45).

Na recordação dos 50 anos do Concílio Vaticano II, voltaremos às grandes intuições da constituição pastoral Gaudium et spes, que fala das relações da Igreja com o mundo e do seu serviço à humanidade. O Papa Francisco aponta de maneira renovada, na exortação apostólica Evangelii Gaudium, a dimensão social da evangelização.

Ele mesmo também tem dito que a Igreja precisa ser “samaritana”, pronta para curar as feridas da humanidade; ou, como “um hospital de campo” em tempos de guerra, próxima das situações de dor e sofrimento das pessoas, para aliviá-las. Sem esquecer que o serviço à vida plena também requer o cultivo da fé e da esperança na vida sobrenatural.

Artigo publicado no Jornal O SÃO PAULO – Edição 3027 – 12 a 18 de novembro de 2014
Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo



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