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Artigos e reflexões › 02/12/2018

Advento: tempo de travessias

Luzes, presépios, casas e vitrines enfeitadas, enfim, um tempo que traz uma magia diferente ao imaginário de todos nós. Natal à vista!

Dezembro inicia-se descortinando para nós um novo tempo, tempo de Advento. Advento vem do verbo latino advenire que significa chegar. Mas, como diz a música de Milton Nascimento, o trem que chega / É o mesmo trem / Da partida… / A hora do encontro / É também, despedida. Chegar a algum lugar é ao mesmo tempo partir de outro (ou outros). Se quisermos chegar a novos horizontes com novas esperanças, desejos de um ano melhor, uma história melhor, um mundo mais humano e fraterno, é necessário partir.

Precisamos partir das estreitezas da vida, do nosso egoísmo, descobrir as fragilidades que nos envolvem, os medos, as dores. Precisamos sonhar acordados, viver despertos, sermos profetas e profetizas da esperança, poetas da vida nova.

Só conseguiremos embarcar no “trem da chegada” se tivermos coragem de não estar fitos no passado, mas no Amor que vem; advento é amor à vista. É imperativo, portanto, um caminho (tão caro ao evangelista Lucas que nos acompanhará neste novo ano litúrgico) do silêncio interior, revisitando as pegadas que o Amor em nós deixou, recobrar a esperança que as dificuldades nos fizeram perder. Tudo isso no silêncio e na paz.

Um dos símbolos que usamos nas igrejas, além do presépio e da árvore, é a coroa do Advento que semana a semana vai sendo iluminada como deve ser a nossa vida. Usamos velas roxas e/ou róseas para nos recordar a serenidade da espera; muitas vezes são acesas velas coloridas trazendo aos olhos uma alegre espera, não esperamos na incerteza humana, mas no Amor divino. Envolta por folhas verdes simboliza ramos de pinheiro e cipreste, únicas árvores cujos ramos não perdem suas folhas no outono e estão sempre verdes, mesmo no inverno.

Que este tempo de Advento nos permita acender as luzes da esperança, da reconstrução, do caminho novo. Por mais difíceis que tenham sidos os dias deste ano, por mais doloridas que estejam as feridas da alma nunca esqueçamos de que Deus não anuncia finais; Deus sempre anuncia começos; Deus não anuncia entardeceres, mas amanheceres. Como escreveu Fernando Pessoa em Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação: “Senhor, protege-me e ampara-me. Dá-me que eu me sinta teu. Senhor, livra-me de mim”.

Diego Bello Doze

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