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Artigos e reflexões › 05/01/2019

As cinco pontas da estrela de Belém

Frei Gustavo Medella, ofm

Na cena do presépio, discreta, porém luminosa, aparece a figura de uma estrela. Ela foi a responsável por guiar os pastores, e depois os magos, na direção do recém-nascido pobre e peregrino deitado sobre as palhas. Estes últimos, homens dos sinais, perceberam no céu a luz que os guiaria à verdadeira Luz. Juntos com os Reis Magos, somos convidados a fixar os olhos nesta estrela que paira sobre Jesus, Maria e José na manjedoura de Belém. É uma estrela de cinco pontas, que pode nos inspirar cinco atitudes capazes e nos aproximar cada vez mais do Menino Jesus.

A primeira ponta é a da tolerância, moeda de grande valor que anda em falta no mercado dos relacionamentos humanos. Percebe-se, especialmente nos últimos tempos, um acentuado clima de preconceito diante das diferenças. A questão migratória, por exemplo, escancara as contradições de uma sociedade que não tem sido habilidosa na arte da convivência. Fronteiras e portas fechadas, discursos racistas, atitudes de violência e exclusão ferem milhões de filhos e filhas de Deus mundo afora e também no Brasil. O Menino de Belém, apesar de frágil e pequenino, está sempre de braços abertos para acolher quem vem a seu encontro. Ele também nos convida a sermos presença de acolhida e tolerância na vida uns dos outros, especialmente daqueles que são diferentes de nós.

A segunda ponta é a do diálogo. Dialogar é partir do pressuposto de que ninguém isoladamente é dono absoluto da verdade e que o outro deve ser considerado em suas opiniões e experiências. A arte de dialogar não pode jamais abrir mão da disposição para a escuta atenta e interessada naquilo que o outro tem a me dizer, seja em gestos ou palavras.

A terceira ponta é a da humildade. Humilde é aquele que tem consciência de ter nascido da terra, conforme Adão, segundo o relato do livro dos Gênesis. Terra é matéria-prima do chão que, mesmo pisado e com frequência esquecido, é lugar de sustentação e elemento fundamental para uma caminhada. Ninguém caminha sem chão. Nascer do chão, ainda que pareça um drama, é a grande graça do ser humano que, no desapego de sua finitude, tem a alegria de se descobrir amado por Deus infinito.

A quarta ponta deriva da humildade, e se chama desapego. No presépio não existe esbanjamento. Por outro lado, nada é supérfluo. As palhas, os animais, Jesus, Maria e José, cada elemento tem o seu papel para oferecer ao Menino o pouco do que ele precisa para se fazer presença entre nós. A exemplo do Menino de Belém, de muito mais não precisamos para viver: teto, terra, trabalho, relações, saúde, educação, repouso. É motivo de tristeza e preocupação vivermos numa sociedade que tem fracassado em oferecer este mínimo necessário a seus filhos e filhas. Falta-nos desapego.

A quinta e última ponta é a Misericórdia. Na raiz desta palavra, o coração. Um dos grande desafios do Natal é treinarmos o ouvido para escutar as batidas fracas, mas fundamentais, do coração do Menino Deus. Ouvir o ritmo desta pulsação divina permite nos coloquemos na mesma sintonia de um coração treinado desde sempre para amar e servir. Quando nosso coração começa a bater no ritmo do coração de Deus, passamos a perceber a urgência de sermos presença divina nos lugares onde Deus deseja continuar nascendo.