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Notícias › 08/10/2018

Frei Valdecir pede amor e cuidado pela criação

Moacir Beggo

 São Paulo (SP) –  O dia de São Francisco de Assis, em São Paulo, começou nublado, até com uma garoa fina em alguns pontos da capital. Mas o irmão Sol não abandonou o seu maior poeta e, antes do meio-dia, apareceu para homenageá-lo. Pelo menos na Vila Clementino, o Padroeiro da Paróquia São Francisco de Assis teve um dia festivo à sua altura.

As Missas começaram às 7 horas. Do lado externo da Matriz, fiéis e admiradores do Santo de Assis começaram a chegar com seus animais para a bênção. Não demorou muito para se formarem filas. Assim foi até à tarde.

O pároco Frei Valdecir Schwambach presidiu a Celebração Eucarística do meio-dia com a igreja lotada. Entre os fiéis estavam os representantes das entidades de pessoas com deficiência visual, Lothar Bazanella, relações públicas da ONG Cadevi (Centro de Apoio ao Deficiente Visual); Marcelo Panico, da Fundação Dorina Nowil; e Marlene Lidinar Gianoto, da Pastoral das Pessoas com Deficiências, que vieram reforçar o lançamento da Campanha “Cãozinho Educado” nesta região, onde circulam mais dois mil deficientes visuais somente da Fundação Dorina.

E foi nesse clima de respeito e cuidado pela criação que Frei Valdecir fez a sua homilia recordando o tema da festa deste ano: “Em Cristo nós somos todos irmãos”. Segundo o pároco, o ser humano não vive sozinho. “A nossa vida só é completa quando nós não estamos sozinhos, quando ela é como um mosaico composto por outras pessoas, sejam elas familiares, amigas, amigos, sejam elas essa extensão da criação de Deus aqui representada pelo cachorrinho, pelo papagaio, pelo gatinho. Enfim, todos eles criados pela bondade de Deus”, disse.

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Frei Valdecir disse também que o ser humano tem o desejo de perpetuar a sua história. “E a gente sabe que nós nos eternizaremos neste mundo à medida que soubermos amar. O cuidado que nós temos para com as pessoas, com a criação de Deus é um grande começo. É a grande possibilidade que Deus nos deixou para começarmos a construir a nossa eternidade. Pode crer! Cada toque de amor que você dá a alguém, a qualquer criatura de Deus, seja ela qual for, você está construindo a sua eternidade. Você está tocando também a sua eternidade”, disse.

“Que não faz essa experiência, não vai saber o que é eterno. Essa pessoa se afasta de Deus. Inferno é a distância de Deus. As trevas são a distância da luz, que é Deus. Não é Deus que se afasta de nós, mas são as nossas escolhas que nos distanciam da luz e do seu amor”, continuou.

Esta celebração é carregada de símbolos, de seres amados, disse o celebrante. “São símbolos desse amor que extravasa do nosso coração, do nosso corpo,  dos nossos olhos, das nossas mãos. É isso que São Francisco quer ensinar para nós quando ele dizia que ‘o amor não é amado’. Primeiramente, ele dizia que nós nunca amamos de modo suficiente o Cristo, que amou e se confunde com o próprio amor por cada um de nós. O quanto aquém estamos de amar todos os amores, todas as criaturas, tudo aquilo que foi deixado por Deus!”, acrescentou.

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São Francisco diz que ‘somos todos irmãos em Cristo’, por isso precisamos cuidar da vida do outro, cuidar da vida das criaturas. Assim como propõe hoje a Campanha do ‘Cãozinho Educado’”, lembrou o frade. “Nós queremos cuidar da criação, cuidar daquilo que é nosso como um todo”, insistiu. Citando o Papa Francisco, disse que nós não temos uma missão, mas a nossa vida é uma missão. “Interessante isso! Não é que nos é dada uma missão, mas o fato de existirmos já é uma missão. Viver já é uma missão. Amar é uma missão. Quer dizer, cada um de nós somos uma missão em carne e osso”, explicou.

Frei Valdecir, fazendo referência à primeira Leitura do livro do Eclesiástico, que fala de um homem que passa a vida reconstruindo a casa, deixou esta mensagem: “Precisamos ser reconstrutores da casa”. “Criamos desgastes na nossa fé, nas nossas relações, na vida emocional, na nossa vida espiritual, na nossa vida de pai, de filho, de avô, de avó, enfim, desgastes até dentro de nossa vida de comunidade. São Francisco, no começo de sua vida, ouviu a voz de Deus que disse: ‘Vai e reconstrói a minha igreja”. Ele pensou que Deus estava falando do templo e passou a reconstruir igrejas. Mas depois ele intuiu que sua vocação era reconstruir a fé, reconstruir o cuidado, reconstruir a espiritualidade, reconstruir o interior da vida da Igreja”, contou. “Nós carregamos essa vocação de amar e cuidar”, completou.

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“CÃOZINHO EDUCADO”

Marcelo Panico tem as melhores perspectivas possíveis sobre a campanha. “Mas ela precisa ser valorizada constantemente porque, infelizmente, algumas pessoas que têm pets não recolhem as fezes de seus animais. Isso não é uma atitude cidadã, principalmente para as pessoas que não enxergam, não sabem identificar o que está no chão e passam situações desagradáveis por conta da irresponsabilidade dos donos dos cães. Pedimos para que esta campanha seja sempre reiterada, divulgada, para que as pessoas que gostam dos animais também façam a sua parte cidadã”, destacou Marcelo, explicando que a Fundação Dorina Nowill para Cegos é uma organização sem fins lucrativos e de caráter filantrópico. Localizada na Rua Doutor Diogo de Faria, 558, na Vila Clementino, a entidade está completando 72 anos de fundação.

Frei Valdecir agradeceu a presença de todos na Celebração, falou da importância da campanha e desejou bons resultados.

vila_041018_3CÃEZINHOS SE SENTEM EM CASA

Os “peludos”, como brincou Frei Valdecir, tomam conta da festa de São Francisco. Sentem-se em casa. Neste ano, o quarteto – Laila, Mel, Rafaela, Cindy Crawford – roubou a cena. As pequenas ganharam roupas que lembravam o hábito franciscano para estarem a caráter na festa. “Laila é a grandona. Eu a adotei em Jacareí em janeiro. Ganhei as outras duas e uma peguei na ABEAC (Associação Bem-Estar Animal Amigos da Célia). Sempre quis vir a esta igreja, mas não conseguia. Desta vez, eu consegui e pedi para minha amiga, que é uma artista, fazer as roupinhas. Amo os animais e São Francisco só faz crescer este amor ainda mais por eles”, disse Francislene Condini, lamentando que não possa adotar mais animais. Ela veio acompanhada para a festa com Nilton, sua mãe Maria Antônia e Stephanie.

 

vila_041018_4Aparecida Branco é uma devota de São Francisco. “Sempre vim aqui, mesmo quando não tinha ainda meus cachorrinhos. Agora venho com eles e fico à vontade na igreja. Esse respeito pelos animais precisa ser divulgado para que não haja mais tanta maldade com eles”, disse.

 

vila_041018_5Laurita Silva de Jesus também é devota do Santo de Assis e não pôde trazê-los. Trouxe um álbum com fotos de seus cães e dos animais de sua amiga. “Uma vez meu cãozinho fugiu e eu fiquei desesperada. Rezei muito para São Francisco e, quando menos esperava, ele voltou”. Não há como não gostar deles, diz Laurita. “São nossos melhores amigos. Amam-nos incondicionalmente”, completou.

 

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