Paróquia São Francisco de Assis

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Artigos e reflexões › 15/05/2013

Invocar o Espírito Santo, para que nos guie rumo à Verdade

936976_407478282693558_1558115275_nCidade do Vaticano (RV) – A Praça S. Pedro ficou lotada na manhã desta quarta-feira para a Audiência Geral com o Papa Francisco.

Depois de saudar a multidão através do papamóvel, recebendo e retribuindo o afeto dos fiéis, o Pontífice dedicou sua catequese sobre a ação que o Espírito Santo realiza ao guiar a Igreja e cada um de nós rumo à Verdade.

Para o Papa, vivemos numa época em que há muito ceticismo em relação à verdade, citando as inúmeras vezes em que Bento XVI falou do relativismo, ou seja, da tendência de considerar que não existe nada de definitivo. Então vem a pergunta: existe realmente “a” verdade? Que é “a” verdade? Podemos conhecê-la e encontrá-la?

A resposta é Jesus: a Verdade que, na plenitude dos tempos, “se fez carne”, e veio habitar no meio de nós para que a conhecêssemos. A verdade não è uma posse, è o encontro com uma Pessoa. Esta certeza, porém, nos leva a outra pergunta: mas que nos faz reconhecer que Jesus é “a” Palavra de verdade, o Filho unigênito de Deus Pai? É justamente o Espírito Santo, o dom de Cristo Ressuscitado, que nos faz reconhecer a Verdade. Jesus o define o “Paraclito”, isto é, “aquele que nos vem ao encontro, que está ao nosso lado para nos amparar neste caminho de conhecimento.

A ação do Espírito Santo na nossa vida é nos recordar e imprimir nos nossos corações de fiéis as palavras que disse Jesus, para que se tornem em nós princípio de avaliação nas escolhas e de guia nas ações cotidianas. É do íntimo de nós mesmos que nasce mas nossas ações: é o coração que deve se converter a Deus, e o Espírito Santo o transforma se nos abrirmos a Ele.
Através do Espírito Santo, o Pai e o Filho habitam em nós: nós vivemos em Deus e de Deus. E Francisco questionou mais uma vez: mas a nossa vida é permeada por Deus? Quantas coisas coloco antes Dele?

“Queridos irmãos e irmãs, neste Ano da Fé, somos convidados, seguindo o exemplo de docilidade de Nossa Senhora, a nos deixar inundar pela luz do Espírito Santo, predispondo-nos à Sua ação, buscando conhecer mais a Cristo e as verdades da fé: meditando a Sagrada Escritura, estudando o Catecismo e aproximando-se com mais frequência dos sacramentos. Mas ao mesmo tempo, devemos questionar quais passos estamos fazendo para que a fé oriente toda a nossa existência. Não se é cristão em alguns momentos ou em algumas circunstância. Somos cristãos a todo momento! Invoquemos com mais frequência o Espírito Santo, para que nos guie no caminho dos discípulos de Cristo.”

Francisco perguntou à multidão: “Quem de vocês reza diariamente para o Espírito Santo? Acho que são poucos, poucos. Mas temos que fazê-lo, para que nos abra o coração para Jesus”.

No final da catequese em italiano, o Papa saudou os diversos grupos presentes na Praça e concedeu sua bênção. Francisco anunciou que visitará, em setembro, o Santuário de Nossa Senhora da Candelária (Bonaria) em Cagliari, na ilha da Sardenha, que inspirou o nome de sua cidade natal, Buenos Aires.

Do site da Rádio Vaticano

Confira a catequese na íntegra:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje eu quero me centrar na ação que o Espírito Santo realiza na condução da Igreja e de cada um de nós rumo à Verdade. Jesus disse aos discípulos: o Espírito Santo “vos guiará à verdade” (Jo 16:13), sendo ele mesmo “o Espírito da verdade” (cf. Jo 14:17, 15:26, 16:13).

Vivemos em uma época em que se é cada vez mais cético em relação à verdade. Bento XVI falou muitas vezes sobre o relativismo, a tendência de acreditar que não há nada de definitivo e a pensar que a verdade venha pelo consentimento ou por aquilo que queremos.

Surge a pergunta: existe realmente “a” verdade? O que é “a” verdade? Podemos conhecê-la? Podemos encontrá-la? Aqui me vem à mente a pergunta do procurador romano Pôncio Pilatos quando Jesus revela o sentido profundo de sua missão: “O que é a verdade?” (Jo 18,37.38). Pilatos não consegue entender que “a” Verdade está diante dele, não consegue ver em Jesus a face da verdade, que é o rosto de Deus. E Jesus, de fato, é a Verdade que, na plenitude dos tempos, “se fez carne” (Jo 1,1.14), veio a nós para que nós a conhecéssemos. A verdade não se agarra como uma coisa, a verdade se encontra. Não é uma posse, é um encontro com uma Pessoa.

Mas quem nos faz reconhecer que Jesus é “a” palavra da verdade, o Filho unigênito de Deus Pai? São Paulo ensina que “ninguém pode dizer ‘Jesus é o Senhor!’ senão pelo Espírito Santo” (ICor. 12,3). É o Espírito Santo, o dom de Cristo ressuscitado, que nos faz reconhecer a verdade. Jesus o define como o “Paráclito”, que significa “aquele que vem em nosso auxílio”, que está do nosso lado para nos apoiar neste caminho de conhecimento e, na Última Ceia, Jesus assegura aos discípulos que o Espírito Santo os ensinará todas as coisas , recordando-os de suas palavras (cf. Jo 14,26).

Qual é a ação do Espírito Santo em nossas vidas e na vida da Igreja para nos guiar à verdade? Antes de tudo, ele recorda e marca nos corações dos que creem as palavras que Jesus disse e por meio destas palavras, a lei de Deus – como haviam anunciado os profetas do Antigo Testamento – está inscrito em nossos corações e em nós se torna um princípio de avaliação nas escolhas e orientação nas ações do dia a dia, torna-se um princípio de vida. Realiza-se a grande profecia de Ezequiel: “Eu vos purificarei de todas as vossas imundícies e de todos os vossos ídolos, vos darei um coração novo e porei em vós um espírito novo… Porei o meu espírito dentro de vós e vos farei viver de acordo com as minhas leias, vos farei observar e colocar em prática os meus preceitos ” (36:25-27). De fato, é do nosso interior que nascem nossas ações: é o coração que precisa se converter a Deus e o Espírito Santo o transforma se nós nos abrimos a Ele.

O Espírito Santo, então, como Jesus promete, nos guia “a toda a verdade” (Jo 16:13) nos leva não somente a encontrar Jesus, a plenitude da Verdade, mas também nos guia para “dentro” da verdade, nos faz entrar em uma comunhão sempre mais profunda com Jesus, dando-nos a inteligência das coisas de Deus. E isso não podemos conseguir por conta própria. Se Deus não nos ilumina interiormente, o nosso ser cristão será superficial.

A Tradição da Igreja afirma que o Espírito da verdade age em nossos corações suscitando o “sentido da fé” (sensus fidei), através do qual, como afirma o Concílio Vaticano II, o Povo de Deus, guiado pelo Magistério, infalivelmente adere à fé transmitida, se aprofunda nela com um julgamento correto e a aplica mais plenamente na vida (cf. Constituição Dogmática Lumen Gentium, 12). Nos perguntemos: estou aberto à ação do Espírito Santo, peço para que ele me traga luz, me faça mais sensível às coisas de Deus? Esta é uma oração que devemos fazer todos os dias: “Espírito Santo faça com que meu coração seja aberto à Palavra de Deus, que meu coração esteja aberto ao bem, que o meu coração esteja aberto à beleza de Deus todos os dias”. Gostaria de fazer uma pergunta a todos: quantos de vocês rezam todos os dias ao Espírito Santo? Serão poucos, mas devemos cumprir esse desejo de Jesus e orar todos os dias ao Espírito Santo, para que nos abra o coração a Jesus.

Pensemos em Maria que “guardava todas as coisas, meditando-as em seu coração” (Lc 2,19.51). O acolhimento das palavras e das verdades da fé, para que se tornem vida, se realiza e cresce sob a ação do Espírito Santo. Neste sentido, devemos aprender de Maria, revivendo o seu “sim”,  a disponibilidade total em receber o Filho de Deus em sua vida, que a partir daquele momento é transformada. Através do Espírito Santo, o Pai e o Filho permanecem em nós, nós vivemos em Deus e para Deus. Mas a nossa vida é realmente animada por Deus? Quantas coisas coloco em primeiro lugar ao invés de Deus?

Queridos irmãos e irmãs, precisamos nos deixar inundar da luz do Espírito Santo, para que Ele nos introduza à Verdade de Deus, que é o único Senhor de nossa vida. Neste Ano da Fé nos perguntemos se realmente temos dado algum passo para conhecer mais Cristo e as verdades da fé, lendo e meditando as Escrituras, estudando o Catecismo, recorrendo com frequência aos Sacramentos. Mas nos perguntemos também quais os passos temos dado para que a fé oriente a nossa existência. Não podemos ser cristãos de momento, só em certas ocasiões, em certas circunstâncias, em algumas escolhas. Você não pode ser um cristão assim, devemos ser cristãos em todos os momentos! Totalmente! A verdade de Cristo, que o Espírito Santo nos ensina e nos revela, para sempre e totalmente, interessa para sempre a nossa vida diária.

Invoquemos mais vezes o Espírito Santo para que nos guie no caminho dos discípulos de Cristo. Invoquemos todos os dias. Vos faço esta proposta: invoquemos todos os dias o Espírito Santo, assim o Espírito vai nos aproximar cada vez mais de Jesus Cristo.

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