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Notícias › 05/10/2016

Jovens encenam o Trânsito de São Francisco

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Texto: Érika Augusto
Fotos: Ana Machado

Um dos momentos mais significativos para os franciscanos é, mais do que a solenidade de São Francisco, é a noite de sua morte, celebrada com grande entusiasmo em todo o mundo. É tradicional cantar e encenar o “transitus“, a passagem de São Francisco para junto do Pai.

Em São Paulo é costume que os frades, religiosos e religiosas, leigos e amigos, se reúnam para celebrar este momento. Neste ano, o local escolhido foi o Santuário e Convento São Francisco, na região central. Nem a chuva, que caiu torrencialmente desde o final da tarde, espantou os fiéis. Às 18h estavam todos reunidos para o início da celebração.

Frei Mario Tagliari, guardião do convento local, deu as boas-vindas. Estavam presentes o ministro provincial, Frei Fidêncio Vanboemmel, o vigário provincial, Frei César Külkamp, os frades da Vila Clementino e do Pari, além dos
frades do Convento São Francisco.

“Não queremos correr o risco de celebrar o final sem ligá-lo a uma vida toda de busca, de confrontar-se e viver o Cristo, pobre e crucificado”, afirmou Frei Mario no início de sua homilia. O frade falou brevemente sobre o início da conversão de Francisco e a sua opção em servir o Senhor. “O que é melhor, servir a um servo ou servir ao Senhor?”, recordou o frade. E ressaltou que muitos se fazem esta pergunta diante de tantos desafios que a vida nos apresenta.

Francisco escolheu a segunda opção, e foi esta escolha que mudou radicalmente seu modo de ver e relacionar-se com o mundo, com a criação e com os irmãos e irmãs.

14543772_1841970209368184_3027011228763939396_o-e1475581927959Frei Mario recordou o encontro de Francisco com o crucificado, em São Damião, e de como este encontro transformou outro encontro importante da vida do pobrezinho de Assis. “É determinante o encontro, neste mesmo período, em que o Cristo crucificado, mas vivo, lhe desafia, que ele encontra um outro crucificado vivo que lhe desafia”, afirmou, fazendo memória do encontro de Francisco com o leproso, que antes lhe dava repulsa.

O frade ressaltou ainda a importância das palavras de São Francisco em seu testamento. “Alguém que no final da sua vida, ao escrever o testamento, já reflete toda a sua vida a partir do Senhor, é o Senhor que lhe envia. E isso ele repete outras vezes, em outras circunstâncias. Ele não atribui a uma intuição própria, a uma vocação que ele escolhe. É o Senhor que o envia ao leproso”, afirmou Frei Mario.

O caminho de perfeição na vida de Francisco

Frei Mario ressaltou também a relação de Francisco de Assis com a criação, sobretudo sua ação de graças à irmã morte quando ele sentia que a morte se aproximava. “Alguém que chega ao final da vida e diz: louvado sejas, meu Senhor, pela irmã morte, é alguém que já chegou à perfeição, porque a morte já não o assusta, pelo contrário, é irmã, o levará definitivamente para junto daquele a quem ele viveu, a quem ele buscou e serviu”, acrescentou.

Ao final de sua homilia, Frei Mario convidou os presentes a buscar este seguimento ao Senhor. “Que nossa vida, irmãos e irmãs, nos ajude a fazermos o nosso itinerário de vida, a nossa caminhada, e oxalá cada um de nós possa, ao chegar ao final dessa caminhada, porque vivemos uma busca com fidelidade, com sinceridade, bebendo a Palavra de Deus, tentando fazer com que esta Palavra de Deus seja vida na nossa vida, que as ações de Jesus sejam as nossas ações, que nossa boca, braços e pés sejam extensão da boca, braços e pés de Jesus. E que possamos chegar também a esse nível de perfeição e acolher a morte como irmã e ir ao encontro de Deus”, concluiu.

Celebração do Trânsito de São Francisco

WhatsApp Image 2016-10-03 at 22.42.09Neste ano, além dos frades, os vocacionados, jovens da Jufra das Chagas e da Paróquia São Francisco, na Vila Clementino, fizeram parte da encenação dos últimos momentos da vida de São Francisco. Na música, ajudaram as irmãs Franciscanas de Ingolstadt, Irmãs Franciscanas da Terceira Ordem Seráfica. Luciano, que já foi vocacionado, prontamente aceitou o convite para ajudar na parte dos cantos e chamou outros músicos, vindos da Escola de Música da cidade de São Paulo, do Teatro São Pedro e um de Sorocaba.
Foi num clima solene que estes músicos e os frades iniciaram os cantos em latim. Enquanto isso, a procissão com os jovens vestidos de frades trazia nos braços Francisco de Assis. Além deles, jovens estavam caracterizadas de clarissas e também de Clara de Assis.

Antes do momento da passagem de Francisco de Assis, os jovens acenderam as velas dos presentes, deixando a igreja num clima ainda maior de oração e respeito. Os que assistiam estavam profundamente tocados pela encenação, que celebra não somente a morte, mas toda a trajetória do pobrezinho de Assis.

WhatsApp Image 2016-10-03 at 23.01.35Após a encenação do trânsito, Frei Mário convidou irmã Miriam, franciscana de Ingolstadt, a apresentar-se com seu grupo. Ele explicou que a religiosa ofereceu-se para ensinar música no Santuário. Então um bonito grupo, de crianças, adultos e idosos, tocou a música “Doce é sentir” na flauta doce e, em seguida, no canto.

Foi neste clima de ação de graças que a celebração teve seu fim. Os frades agradeceram a presença de todos, Frei Alvaci, pároco do Santuário, convidou os presentes para os festejos desta terça-feira, dia do padroeiro. Ao final da celebração todos foram convidados para uma pequena confraternização no salão paroquial



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