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Mensagem do pároco › 19/02/2017

O início de ano e o sonho de Paz

DSC_4436 (2)Ainda no início do ano, é conveniente lembrarmos que a construção da paz é algo “artesanal”. A sociedade, infelizmente, tem optado pelo caminho do conflito. No âmbito internacional, cada vez mais se parece acreditar que as controvérsias não se resolvem pela negociação, diálogo baseado no direito, na justiça, equidade, mas apenas pelas vias dissuasivas e devastadoras (cf. Mensagem do Papa Francisco para o 50º dia mundial da Paz). O Papa Francisco escreve isso a partir do que Paulo VI anteriormente havia escrito, dirigindo-se a todos os povos, “que a paz é a única e verdadeira linha do progresso humano (não as tensões de nacionalismos ambiciosos, nem as conquistas violentas, nem as repressões geradoras duma falsa ordem civil)”. O que de melhor o ser humano consegue produzir, isto é a paz, possibilitadora da convivência entre os povos e as diferentes comunidades.

Vivemos hoje “uma terrível guerra mundial aos pedaços”, disse o Papa na referida carta. Não sabemos avaliar se hoje somos mais ou menos violentos do que ontem. Vivemos num tempo de guerras pulverizadas: pode ser a guerra que devastou Aleppo, na Síria; os diversos atentados terroristas pela Europa; quantas mortes no presídio da Amazônia; os assassinatos no interior de São Paulo quando da festa de fim de ano; a crise na segurança pública em nossos Estados; nosso trânsito não mata menos que guerras sangrentas…

A violência em “fragmentos”, gera sofrimentos e o pior, não alcança objetivo de valor humano durável algum. Já ouvimos dizer que violência gera violência. Só a paz pode quebrar a lógica da violência. Francisco lembra que “quando sabem resistir à tentação da violência, as vítimas da violência podem ser os protagonistas mais credíveis de processos não violentos de construção da paz”.

Francisco lembra o papa emérito, Bento XVI: “a não-violência para os cristãos não é um mero comportamento tático, mas um modo de ser da pessoa, uma atitude de quem está tão convicto do amor de Deus e do seu poder que não tem medo de enfrentar o mal somente com as armas do amor e da verdade. O amor ao inimigo constitui o núcleo da ‘revolução cristã’”.

Ao menos por duas vezes na sua carta, Francisco nos lembra que a origem da violência é o coração humano. Portanto, se a origem da violência é o coração, então é necessário que se comece a fazer o caminho inverso: “treinar” o coração para o exercício da paz. O lugar desse “treino”, é a família, o primeiro lugar de nossa vida onde nos deparamos com o outro, que é o pai, a mãe e irmãos. Ali se aprende a comunicar e a cuidar uns dos outros de forma desinteressada e onde os conflitos, mesmo aqueles mais banais do dia a dia, podem ser superados através do diálogo, da misericórdia, do perdão.

Mediante nossas dificuldades e reais esforços na vivência da paz, podemos sempre rezar: “Senhor, fazei de mim, um instrumento de vossa Paz!

 

Frei Valdecir Schwambach, ofm