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Mensagem do pároco › 17/02/2018

Por um coração reconciliado

ValdecirQueridos Paroquianos!

Paz e Bem!

Entramos no tempo da Quaresma. Nossa vida é feita de tempos e é no tempo que Deus se manifesta e nos concede a oportunidade de mudar. Todas as transformações, físicas, emocionais, espirituais e estruturais ocorrem no e com o tempo. A natureza também se transforma, e isso pode ser apreciado de uma certa forma, através da mudança das estações do ano, da alternância noite e dia, treva e luz.

O tempo da Quaresma é esse tempo do “efatá”, isto é, do “abre-te” (Mc 7,34). No Batismo, recebemos a filiação de filhos de Deus e foi impressa em nós a possibilidade de nos abrirmos ao Outro (Deus) e aos outros. Fomos criados para escutar, falar, tocar, isto é, somos seres de linguagem, comunicação e comunhão.

Depois da Quaresma, celebraremos as alegrias pascais, ressurreição de Cristo, mas certeza das nossas ressurreições cotidianas. A ressurreição de Cristo já é nossa vitória; o mal maior foi vencido.

Nesse ano de 2018, a Igreja sugere que reflitamos sobre a questão da violência: Fraternidade e superação da violência. Aprendemos desde sempre que moramos num país pacífico, sem guerras; contudo, uma leitura atenta da realidade nos mostra que vivemos mergulhados, por décadas numa verdadeira guerra civil que a mídia não divulga. Vivemos a cultura da violência. A cultura da violência nos deixa com o olhar míope, ou seja, uma certa “consciência anestesiada”, pois atos violentos, como aqueles que acontecem tantas vezes dentro de casa, no trabalho, passem despercebidos.  Definimos que naquele país e naquele estado há guerra, conflitos, mas não vemos o quão violento nossos ambientes podem ser. A violência nasce dentro do próprio ser humano quando este escolhe o caminho do ódio, da rivalidade, competição e escolhe não perdoar.

Vale recordar a frase “com a paz, nada se perde. Tudo, com a guerra, pode ser perdido” (Pio XII). Recentemente o Papa Francisco disse que a paz é algo artesanal, isto é, feito devagar, é um trabalho “manual”, passa pelo coração, pela vontade, mas envolve saber estender a mão, baixar a guarda, abrir caminho para o outro passar.

Todos queremos um mundo melhor, uma cidade melhor. A paz brota de um coração reconciliado. A Quaresma e o período pascal nos recordam que fomos criados por amor e para ajudar a Deus no cultivo de seu projeto de vida para todos. Pessoas violentas desvirtuam os planos de Deus porque trazem morte, tanto morte física, emocional ou espiritual para os que estão a sua volta. Muitas vezes, saber ganhar é saber perder.

O espírito sóbrio da quaresma e as alegrias da páscoa despertem em nós a vontade de superarmos todo tipo de violência e nos recordem que todos nós somos irmãos.

Boa quaresma e abençoada Páscoa a todos!