Paróquia São Francisco de Assis

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Muita festa para o Padroeiro Francisco de Assis

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Moacir Beggo

São Paulo (SP) – O dia amanheceu chuvoso e muito frio em São Paulo, neste sábado, mas durou pouco a cara feia do tempo. Logo o sol apareceu para deixar a manhã com cara de alegria. Afinal, todo dia 4 de outubro é Dia de São Francisco de Assis, um santo que merece ser lembrado com muita festa.

FidencioEm todas as igrejas franciscanas e não-franciscanas, ninguém perde a oportunidade de lembrar o Padroeiro da Ecologia, título dado a São Francisco por João Paulo II há 35 anos.  A movimentação de fiéis e animais nas igrejas é intensa, por conta especialmente da tradicional bênção dos animais.

Duas igrejas, contudo, dos Franciscanos da Província da Imaculada Conceição em São Paulo, tiveram um motivo a mais para celebrar este dia: São Francisco é o Padroeiro da Paróquia da Vila Clementino e do antigo Convento no centro de São Paulo.

Na Vila Clementino, os frades se revezaram para atender aos pedidos de bênçãos dos animais e das pessoas. É a igreja onde os animais se sentem à vontade fora ou durante as celebrações. Tudo começou quando o pároco Frei Djalmo Fuck criou a Missa Ecológica e abriu as portas para todas as criaturas também ‘celebrarem’ o Criador. Hoje, todas as Missas são Ecológicas. “Acolhemos as pessoas e os animais como São Francisco gostava que fossem acolhidos”, disse Frei Djalmo, o criador também do Bolo de São Francisco para os animais de estimação. Durante a bênção na Vila, os animais também ganham a “ração abençoada”.

A MENSAGEM DO PAPA EM ASSIS

Na Missa das 9 horas, o Ministro Provincial Frei Fidêncio Vanboemmel recordou que nesta mesma data, no ano passado, o Francisco de Roma visitava a terra de Francisco de Assis, que o inspirou no seu Pontificado e até no nome.

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Frei Fidêncio recordou cada ponto da peregrinação do Papa e refletiu sobre a mensagem que ele deixou, assim como os valores fundamentais para a vida. Foi assim na chegada quando escolheu as crianças portadoras de deficiência. O gesto lembrou o abraço ao leproso de Francisco, um abraço que transformou radicalmente a vida de São Francisco. “E aí o Papa nos recomendava que, na nossa vida, na nossa realidade, existem tantas manifestações de lepra, isto é, tantas enfermidades que não podem ser esquecidas por nós”, disse o Provincial.

Depois, o Papa visitou o Bispo de Assis. “Não foi apenas para prestar reverência ao pastor daquela Igreja, mas ali ele lembrou de quando Francisco se despojou de suas vestes diante do Pai e do bispo. O Papa, simbolicamente, chamou a atenção da Igreja toda, de nós, cristãos, que precisamos aprender a nos despojar de nossas vaidades, das nossas ambições, orgulho e egoísmos”, acrescentou.

Ao visitar a Basílica de São Francisco, ele recomendou o grande anúncio da paz. “São Francisco de Assis, quando começou a pregar o Evangelho, ele aprendeu que o primeiro anúncio consistente é o anúncio da paz. O Papa recordou que a paz não é um sentimento mas ela precisa ser construída continuamente”, disse.

Mais adiante, na Catedral de São Rufino, o Papa quis lembrar o nosso batismo, porque ali Francisco foi batizado. “E lá na Catedral ele nos lembrou de três coisas importantes para nossa vida cristã: em primeiro lugar, o que foi fundamental na vida de São Francisco como cristão: ouvir a palavra de Deus. Francisco tomou todas as decisões importantes de sua vida abrindo as páginas do Evangelho. Então, o Papa nos recordou: é importante ouvir sempre a Palavra de Deus. Mas não basta ouvir, é preciso caminhar de acordo com a Palavra de Deus”, interpretou Frei Fidêncio

Segundo o Ministro Provincial, depois esta Palavra precisa ser proclamada e anunciada às periferias. “O que é periferia? Não é periferia das grandes cidades, mas periferia é toda situação humana que muitas vezes é largada de lado, aquilo que está na extremidade. Muitas vezes é a periferia da dor, a periferia do isolamento, do abandono. E olhando para a nossa grande cidade, a periferia não está apenas nos entornos da nossa São Paulo, mas a pior periferia nós encontramos na cracolândia. A pior periferia nós encontramos no centro da nossa cidade de São Paulo, quando dezenas e milhares de pessoas dormem debaixo de marquises. Isso também é periferia. E como nós, muitas vezes, nos sentimos atados diante dessas realidades periféricas da criatura humana!. Como levar a Boa Nova e não fazer proselitismo religioso? Como é difícil levar uma palavra de esperança para essas pessoas!”, observou. Segundo o Provincial, esses três pontos – ouvir a palavra, deixar-se conduzir por ela e anunciar esta Palavra – foi uma constante na vida de nosso Seráfico Pai São Francisco.

Na sua peregrinação, não poderia faltar a Basílica de Santa Clara. “O Papa não visitou apenas irmãs contemplativas, irmãs que vivem dentro da clausura. O papa nos recordou uma dimensão muito importante da nossa vida: a vida contemplativa também toca a cada um de nós. Se nós não formos homens e mulheres contemplativos, jamais  poderemos enxergar a vida, o mundo criado, a partir do olhar do Criador. É preciso se recolher para enxergar melhor, ver melhor e ver, sobretudo, a vida com os olhos de Deus”, ensinou.

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E, finalmente, o Papa chegou à pequenina igreja restaurada por São Francisco, que está dentro da grande Basílica de Nossa Senhora dos Anjos: a Porciúncula. Lá o Papa se dirigiu aos jovens, pedindo para serem construtores da paz e da nova evangelização na Igreja.

Frei Fidêncio lembrou que, no encerramento, o Papa disse: “Aqui em Assis não precisamos de muitas palavras. Aqui em Assis quem nos fala é Francisco e Santa Clara!”.

CÃES, GATOS, COELHOS…

“Eles só sabem dar carinho. Infelizmente, ainda há muito o que se fazer para banir do nosso país a cultura dos maus-tratos aos animais”. A revolta da jovem Edna Assunção é unanimidade entre os devotos de São Francisco.

Anice Nascimento trouxe “Mel e Simba” para serem abençoados. Dois cães grandalhões que só têm tamanho, pois são um “poço de docilidade”. “Eles são cães terapeutas. Um será guia e outro vai cuidar de idosos”, contou Anice, devota de São Francisco.

Já Antônio Rabitt é Ministro da Eucaristia na Paróquia e sua mulher canta no Coro da Igreja. “Trouxemos o Kiko para tomar a bênção”. O Kiko é um adorável coelhinho.

Devota “desde sempre” de São Francisco,  Maiara Namindone veio do Jardim Saúde pela primeira vez para trazer o seu cãozinho. “Tenho também um gato mas ele não ficaria tranquilo aqui”, disse.

Enquanto os animais chegavam sem parar na Vila, os frades – Frei Djalmo, Frei Walter, Frei Mário, Frei Euclides, Frei Roberto, Frei Raimundo, Frei Jorge e Frei Fidêncio – se revezavam para atender a tantos devotos.

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