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Tempo das Epifanias do Senhor

“Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria que o será para todo o povo: Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor.” (Lc 2, 10-11).

WhatsApp Image 2017-12-24 at 19.03.07É com essas palavras do anjo que se descortina para nós o solene Tempo do Natal. Após as quatro semanas do advento, a esperança da justiça que vem de Deus – não do jogo oportunista do poder – se concretiza na encarnação de Deus de forma simples, na periferia da cidade, em Belém, num estábulo, na beleza de uma criança.

Esse é o grande ensinamento que as leituras do Tempo do Natal querem revelar para nós: Deus é uma Criança que brinca… (Jacob Boehme, místico medieval). É nessa atmosfera “infantil” que Deus se aproximou de nós. Não veio como um imperador poderoso nem como um sumo-sacerdote ou um grande filósofo. Deus pode ser encontrado não na estrada suntuosa do domínio e do poder, mas na estrada da doação, da partilha, da solidariedade… A única explicação da “descida” de Deus é seu “amor compassivo”.

Assim Deus se encarna no seio da Virgem Maria, morada de Deus, pois, como recordou o Papa Francisco, “Maria com uns simples paninhos, transformou aquela estrebaria na morada de Deus”, mas ela só o faz, pois primeiro seu coração já estava todo pleno de Deus, ela por primeiro já era morada de Deus, como celebramos na Solenidade de Santa Maria, mãe de Deus (1º de janeiro). Deus se encarna em uma família (Festa da Sagrada Família) nasce juntos aos animais, revela-se aos pastores (Solenidade do Natal) e aos povos vindos de todas as partes do mundo, os magos (Solenidade da Epifania do Senhor).

A pedagogia litúrgica desse singelo e bonito tempo da Igreja nos revela, nos faz compreender que este é, por excelência, o tempo das epifanias, o tempos das revelações: Deus se revela a nós na simplicidade da criança das palhas, Ele mergulhou na nossa fragilidade fazendo-se uma criança pobre, que nasce na periferia, no meio de animais, deitada numa manjedoura… para que ninguém se sentisse distante d’Ele, para que todos pudessem experimentar o sentimento de ternura que uma criança desperta e sobre quem nos dobramos, maravilhados. Criança não transmite medo; todos se aproximam dela com reverência, ternura, sorriso no rosto…

Por ser uma festa tão grandiosa para a Igreja, a Solenidade do Natal se estende por oito dias ainda – a chamada oitava do Natal – não como mais oito dias, mas como o prolongamento dessa festa por oito dias, nos quais “nos concentramos mais uma vez sobre o grande mistério de Deus que desceu do Céu para entrar na nossa carne” (Papa emérito Bento XVI, 9 de janeiro de 2013).  Durante esses dias fazemos memória de como o amor de Deus se concretizou na vida de Santo Estevão, o primeiro mártir da Igreja celebrado a 26 de dezembro, recordando especialmente o testemunho do amor que perdoa dado por Estevão em seu martírio. Também fazemos memória de São João Evangelista, 27 de dezembro, o discípulo que Jesus amava. A convivência profunda com Jesus, a ligação com o coração do Mestre, tornou-o um grande teólogo que penetrou em profundidade o mistério do Verbo feito homem, cheio de amor e fidelidade. Já no dia 28 de dezembro, a Igreja faz memória dos Santos Inocentes Mártires que deram testemunho de Cristo não com palavras, mas com seu sangue. Essa festa lembra-nos que o martírio é dom gratuito do Senhor. A liturgia recorda o valor do testemunho de vida que não pode estar separado da palavra. As festas que concluem a oitava do Natal são: Sagrada Família e Santa Maria, mãe de Deus recordando que o amor de Deus se encarna no seio humano da família e é para ser vivido entre os homens: o mundo é o grande o apostolado de cada um de nós, é no mundo que devemos viver o amor, a partilha, o perdão, a entrega, a compreensão, a misericórdia e a entrega assim como o fez a criança de Belém que nos veio visitar .

O Nascimento de Jesus é um atrevimento, uma verdadeira ousadia, uma surpresa inimaginável…; na verdade, o Natal é a manifestação do impossível que se faz possível no coração de Deus.

“Ele é o eterno Menino, o Deus que faltava; o divino que sorri e que brinca; o menino tão humano que é divino” (Fernando Pessoa).

Agora temos um Deus Menino e não um Deus juiz severo de nossos atos e da história humana. Que alegria sentimos quando pensamos que seremos julgados por um Deus Menino! Ao invés de condenar-nos, Ele quer conviver e entreter-se conosco eternamente.

Feliz Natal!

Por Diego Bello Doze