Paróquia São Francisco de Assis

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Espiritualidade e Câncer: caminhos de Esperança

 

Somente ele é a rocha que me salva; ele é a minha
torre alta! Não serei abalado!” canta o salmista.
No silêncio da interioridade está o espaço privilegiado
para esse relacionamento com Deus.

 

 

           

          Poucos eventos podem ser tão traumáticos para a vida de um indivíduo quanto o diagnóstico de um câncer. Independentemente das chances cura e do roteiro terapêutico a ser proposto, é um momento que pode trazer à tona sentimentos como: dor, medo, insegurança, raiva, sensação de abandono, entre outros. A palavra câncer coloca em xeque a existência, desloca o chão, força um clamor aos céus em busca de sentido e propósito.

          É possível encontrá-los? Onde está a resposta dos porquês de um paciente diante do escândalo do adoecimento, da perda da integridade do ser e da perspectiva da morte. Nesse sentido, a Medicina contemporânea, atolada em certo vislumbre por si mesma, tem pouco a contribuir. É necessário ir para além dos protocolos e medicações, é preciso ousar navegar em águas mais profundas.

          Nesse itinerário, as velas devem se abrir para os sopros da espiritualidade, essa capacidade inata de experimentar a conexão com o Sagrado, com o Divino. É no encontro com sua fonte e destino que o homem identifica sua verdadeira esperança: “Somente ele é a rocha que me salva; ele é a minha torre alta! Não serei abalado!” canta o salmista. No silêncio da interioridade está o espaço privilegiado para esse relacionamento com Deus.

          O verdadeiro cuidado ao paciente com câncer jamais poderá se furtar de promover esse diálogo entre a vida espiritual e saúde biopsicossocial. Os estudos nesse campo são abundantes e mostram benefícios na redução de ansiedade/depressão, no aumento do bem-estar durante o tratamento e na tomada de melhores decisões terapêuticas. A espiritualidade não é um elemento opcional da atenção em saúde, pelo contrário, é justamente seu elemento central, pois dela emana o sentido próprio de todos os demais componentes.

          Para o padre Francisco Álvarez, no seu livro “Teologia da Saúde”, saúde não é apenas estar bem ou sentir-se bem, mas é “ser bem”, ou seja, experimentar a vida como um caminho de vivência do amor e das virtudes, numa jornada repleta de esperança sob o impulso da fé. Nessa perspectiva, o câncer torna-se apenas uma circunstância, complexa e difícil, mas ainda sim relativa diante de uma existência que se abre ao infinito.

          A espiritualidade é mais do que uma ferramenta no enfrentamento do câncer, é o grande trampolim que permite um esperançar para além das dificuldades, das más notícias, das turbulências e decepções. Trata-se de um caminho para uma realidade toda outra, na qual impera o amor, o sentido e o propósito de todas as coisas. Eis o coração de um cuidado humanizado que torna o fomento da espiritualidade no mundo da saúde uma tarefa irrenunciável.    

 

Dr. Felipe Moraes
Oncologista Clínico pela USP.
Teólogo pelo Centro Universitário Claretiano.

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