Paróquia São Francisco de Assis

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4º Domingo do Advento/Ano A

tempo do advento

Primeira Leitura: Is 7,10-14
Salmo 23
Segunda Leitura: Rm 1,1-7
Evangelho: Mt 1, 18-24

18 A origem de Jesus, o Messias, foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo. 19 José, seu marido, era justo. Não queria denunciar Maria, e pensava em deixá-la, sem ninguém saber. 20 Enquanto José pensava nisso, o Anjo do Senhor lhe apareceu em sonho, e disse: «José, filho de Davi, não tenha medo de receber Maria como esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. 21 Ela dará à luz um filho, e você lhe dará o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados.»

22 Tudo isso aconteceu para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: 23 «Vejam: a virgem conceberá, e dará à luz um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que quer dizer: Deus está conosco.» 24 Quando acordou, José fez conforme o Anjo do Senhor havia mandado: levou Maria para casa.

Comentário

O presente domingo é o domingo do Emanuel, “Deus conosco”. O tradicional canto da entrada evoca o orvalho que desce do céu e faz brotar da terra a salvação, o Salvador (Is 45,8). Jesus, gerado pelo orvalho do Espírito Santo no Seio de Maria Virgem, é a realização plena do sinal da presença de Deus que o profeta Isaías anunciou ao rei Acaz, setecentos anos antes: o nascimento de um filho da jovem princesa – da “virgem”, como diz a tradução grega do Antigo Testamento, como também o evangelho, ao citar este texto (1ª leitura; evangelho).

Quem assume como pai de família esse nascimento é José, da casa de Davi: por causa dele, Jesus nasce como filho de Davi. Mas a mensagem do anjo deixa claro que Jesus é “obra do Espírito Santo” (Mt 1,20, evangelho). Essa dupla filiação é mencionada no início da Carta aos Romanos: humanamente falando (“segundo a carne”), Jesus é filho de Davi, mas quanto à ação divina (“segundo o Espírito”), ele é filho de Deus, como se pode ver por sua glorificação depois de ressuscitado dentre os mortos (2ª leitura).

O centro desta liturgia é, pois, o maravilhoso encontro do divino e do humano em Jesus Cristo. Nos domingos anteriores, as expectativas do Antigo Testamento eram a imagem de nossa esperança escatológica. Hoje entramos mais diretamente no mistério de Deus em Jesus, maravilha operada por Deus na realidade humana. Deus pôs a mão à obra: Jesus é Deus-conosco (Mt 1,23), e conosco permanecerá (cf. o fim do evangelho de Mt, 28,20!). A obra de Deus é de sempre e para sempre.

Neste mistério, a Virgem-Mãe ocupa um lugar central, Este quarto domingo é, na realidade, urna festa de Maria (antigamente os mesmos textos eram repetidos na 4ª-feira, na Missa aurea em honra de Maria). A oração do dia de hoje tornou-se a conclusão da oração do Angelus: a mensagem do anjo é a primeira manifestação da obra de Deus que vai desde a anunciação até a ressurreição! Maria aparece aqui como a jovem escolhida por Deus, qual esposa pelo rei. A virgindade de Maria significa sua disponibilidade para a obra de Deus nela: virgindade fecunda, prenhe de salvação. Nela brota o fruto que, em pessoa, é o sinal de que Deus está conosco.

Mensagem

Neste último domingo do Advento celebramos o ponto alto de nossa esperança e de nossa espera. Revivemos a espera do Messias, para tirar mais fruto de sua vinda, que continua acontecendo em cada momento da história.

Quando o antigo Israel estava ameaçado pelos povos estrangeiros, Deus suscitou a esperança do povo mediante o sinal da “jovem”(a rainha?) que ficou grávida e cujo filho receberia o nome de “Emanuel”, Deus conosco (1ª leitura). Visto que “jovem” pode também ser traduzido por “Virgem”, esse sinal se realiza plenamente em Maria Virgem. A concepção, pela “Virgem”, do filho dado por Deus é o sinal de que Deus está agindo. O povo pode contar com ele.

Em Jesus, a Escritura se cumpre (evangelho). Deus está agindo, mas não sem que os seus colaboradores assumam sua responsabilidade. José, “descendente de Davi”, faz com que o “filho de Deus”(o Messias) nasça “filho de Davi”, ou seja, descendente de Davi, conforme as Escrituras (cf. Mt 1, 1-16). José não precisa ter medo de acolher Maria: ela é sua esposa (Mt 1,20). Ela se tornará mãe do Emanuel, pelo poder do Espírito de Deus (Deus que age, Mt 1,21). Assim, humanamente falando, Jesus é “filho de Davi” e, pela obra do Espírito Santo em Maria, ele é “Filho de Deus” (2ª leitura).

O mistério de Jesus ter nascido sem que Maria deixasse de ser virgem significa que Jesus, em última instância, não é mera obra humana, mas antes de tudo um presente de Deus à humanidade. Seu nascimento é sinal de que Deus está conosco para nos salvar. Seu nome, Jesus, significa “Deus salva”; é o equivalente de Emanuel.

O mistério se manifesta através de sinais: o mistério do amor, através da rosa; o mistério de Deus que age, através do sinal da Virgem que se torna mãe. Há uma coisa que nos ajuda a vislumbrar o significado desta história: diante da gravidez, os pais, e sobretudo a mãe, têm consciência da presença de um mistério: os pais sentem que o filho não é apenas obra deles.

Diante do mistério do Filho que Deus dá ao mundo, nós sentimos profunda admiração-contemplação, fé e confiança diante do agir de Deus em Jesus, verdadeiramente homem e verdadeiramente Filho de Deus. Sentimos também gratidão pelo presente que Deus nos oferece. E deixando de lado todas as (vãs e vaidosas) tentativas de “resolver o mistério”, dedicamo-nos a contemplá-lo e a nos envolver na alegria que ele representa.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

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