No sábado, dia 07 de março, nossa paróquia recebeu cerca de 50 jovens provenientes, em sua maioria, das Paróquias Santo Antônio do Pari, São Francisco de Assis – Largo São Francisco e São Francisco de Assis da Vila Clementino, que participavam da caminhada noturna em São Paulo, organizada pelo Serviço de Animação Vocacional da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, sob a coordenação de Frei Diego Melo.
Às 22h de sábado, os jovens saíram do metrô Santa Cruz e se deslocaram a pé em direção à Paróquia São Francisco de Assis, acompanhados por religiosas e frades. Nem a chuva, que persistiu durante todo o dia e se prolongou até a noite, conseguiu diminuir a alegria e a força de vontade dos jovens caminhantes.
O itinerário da caminhada era composto de três paradas, cada uma em uma paróquia franciscana diversa. Na primeira parada, na Paróquia da Vila, os jovens, já recebidos pelo pároco, Frei Djalmo, e pelos frades da fraternidade local ainda no metrô, foram acolhidos na entrada por Frei Roberto Ishara, Frei Miguel da Cruz, jovens da paróquia e membros de diversas Pastorais da comunidade.
Cada jovem recebeu uma vela acesa e, no escuro, em espírito quaresmal, adentraram na igreja, onde foram convidados a observarem as imagens das passagens da Via-Sacra e, a partir desta experiência, por meio de desenhos e recortes de revistas, representar em papel o que lhes recordasse uma estação de sua própria via-sacra, aquilo que cada jovem vivia, experienciava, sentia. Seguiu-se então a reflexão sobre o encontro de Francisco com o crucificado, quando, diante da Cruz de São Damião, Francisco escuta, na pequena igreja em ruínas, a voz do crucificado convidando-o a restaurar a igreja. Francisco entende inicialmente esse movimento como para restaurar as pedras físicas, mas, talvez, ele precisasse desse movimento para restaurar em si o templo do coração, a imagem de Cristo, e, só assim, poderia restaurar a Igreja. Fomos lembrados que: “Talvez sejamos nós que precisemos restaurar em nós a imagem do Cristo. Talvez nós precisemos nos perdoar.” E um pedido: “Francisco e Clara não se conformavam que o Amor não fosse amado. Que nós possamos, inspirados por Francisco e Clara, restaurar os crucificados deste mundo. Talvez precisemos ser Cirineus. Talvez sejamos os crucificados”. A seguir, cada jovem recebeu dos frades o crucifixo de São Damião, fazendo lembrar do Deus Amor que se entregou na Paixão, lembrar da cruz que faz parte do itinerário cristão e lembrar de Francisco que, diante da mesma imagem do crucificado, recebeu tamanha inspiração e hoje é exemplo para nós.
São Francisco, ainda na prisão, recebeu um pedido: ‘olhe com o coração’, pedido este expresso no filme assistido antes de os jovens partirem da Vila Clementino em direção ao Largo São Francisco. Todo o caminho feito a partir daí, cerca de 14 quilômetros, em direção à Paróquia Santo Antônio do Pari e tendo parada no Largo São Francisco, teve apenas um objetivo: aprender a olhar com o coração. Seja como anjo de um irmão, ou como protegido. Pode ser no cachorro quente preparado e oferecido com carinho aos jovens ou na Eucaristia celebrada no Convento e Santuário São Francisco. Até mesmo no ouvir da ‘gaitinha’ ou ainda na homilia sobre os diversos significados do pão, feita por Frei Gustavo Medella. Naquela conversa com o irmão no caminho, ou no abraço da despedida, no claustro do Convento Santo Antônio do Pari. Não importa! Nesta madrugada, feita de alegria e superação, todos – jovens e frades – aprendemos de São Francisco no tríplice mistério – cruz, eucaristia e presépio – a OLHAR com o coração. O que significa:
1. Saber acolher a nossa estação da VIA SACRA e iluminar a cruz do Cristo Ressuscitado em meio a chuva.
2. Saber partir e REPARTIR o pão ‘que não se nega a ninguém’ nas diversas mesas de nossa vida.
3. Saber perceber a GRANDEZA do filho Deus que na encarnação, tornou-se o ‘homem de nossas dores’, e até mesmo de nosso sono.
Por fim, na última parada da caminhada desta noite, na Paróquia Santo Antônio do Pari, mais uma importante lição foi aprendida, proveniente de um testemunho fecundo, de alguém que celebra há 65 anos a sua fé na comunidade: “fazer uma caminhada é estar todo inteiro no encontro com nossas fragilidade e potencialidades”. Só pode olhar com o coração, quem está todo inteiro no projeto do Reino de Deus, como fez Francisco de Assis.
Por Cristy Azevedo, Diego Bello e Vinicius Fabreau.