Paróquia São Francisco de Assis

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Santa Inês de Praga, 2 de março

Inês de Praga nasceu na cidade de Praga (Tchecoslováquia) em 1205.

Foi filha do rei Otocar I da Boêmia e da rainha Constância da Hungria.

Com três anos foi levada para o Mosteiro das monjas cistercienses onde sua tia Santa Edwiges lhe ensinou as verdades fundamentais da fé, as primeiras orações e  formou-a na vida cristã.

Foi prometida como noiva a diversos príncipes, inclusive ao futuro Henrique VII, que seria imperador. Teve uma educação esmerada, em diversos mosteiros e cortes. Mas Inês não se sentiu bem nesse ambiente porque seus planos para o futuro eram outros. Inês recusava a todos com gentileza, declarando que o seu único compromisso era com Jesus.

Sempre se dedicou às obras de caridade dando muitas esmolas aos pobres e, depois que conheceu os frades menores, que chegaram à sua cidade em 1225, animada também pelo testemunho de sua prima Santa Isabel da Hungria, decidiu ser irmã clarissa. Desfez-se de todos os seus bens, distribuiu o dinheiro para os pobres, e com seus próprios recursos fundou em Praga uma grande obra, em que havia um hospital, um mosteiro e uma igreja de São Francisco, obra que ainda existe até hoje.

Entrou e professou solenemente na Ordem das Clarissas em 1234, no dia de Pentecostes Foi eleita Abadessa, cargo que exerceu com humildade e caridade, com sabedoria e zelo. Inês assistia às irmãs doentes, curava leprosos e outros doentes infectados por doenças contagiosas, lavava-lhes e remendava-lhes as roupas, tornando-se para eles uma verdadeira mãe.

Entre Santa Clara e Santa Inês nasceu uma amizade profunda, embora nunca tivessem se encontrado. Elas não se conheciam.

Santa Clara escreveu-lhe quatro belíssimas cartas, valiosos documentos de espiritualidade franciscana, onde expressava o afeto que dedicava a Inês, a quem chamou “metade da sua alma”.

Durante os 40 anos em que viveu no mosteiro, seguiu escrupulosamente o estilo de vida austera de São Francisco e de Santa Clara.

A 2 de março de 1282, com quase 80 anos de idade, adormeceu serenamente nos braços do Senhor, confortada pelo afeto das Clarissas e dos frades menores. Os restos mortais foram sepultados na igreja do mosteiro onde vivera.

Foi beatificada pelo papa Pio IX em 28 de novembro de 1874.    

O papa João Paulo II a canonizou em 12 de novembro de 1989 na Basílica do Vaticano.

 

 

1ª.Carta a Inês de Praga

À venerável e santa virgem, dona Inês, filha do excelentíssimo e ilustríssimo rei da Boêmia, eu, Clara, indigna serva de Jesus Cristo, das senhoras enclausuradas do mosteiro de São Damião, sua serva sempre submissa, recomenda-se inteiramente e deseja, com especial reverência, que obtenha a glória da felicidade eterna.

 

Sabedora da boa fama de vosso santo comportamento e vida, que não só chegou até mim, mas foi esplendidamente divulgada em quase toda a terra, muito me alegro e exulto no Senhor. Disso posso exultar tanto eu mesma como todos os que prestam serviço a Jesus Cristo ou desejam fazê-lo.

Porque, embora pudésseis gozar, mais do que outros, das pompas e honras deste mundo, desposando legitimamente, com a maior glória, o ilustre imperador, como teria sido conveniente a vossa excelência e à dele, rejeitastes tudo isso e preferistes a santíssima pobreza e as privações corporais, com toda a alma e com todo o afeto do coração, tomando um esposo da mais nobre estirpe, o Senhor Jesus Cristo, que guardará vossa virgindade sempre imaculada e intacta.

Amando-o, sois casta; tocando-o, tornar-vos-eis mais limpa; acolhendo-o, sois virgem.

Seu poder é mais forte, sua generosidade mais elevada, seu aspecto é mais belo, o amor mais suave, e toda a graça mais elegante. Já estais tomada pelos abraços daquele que ornou vosso peito com pedras preciosas e colocou em vossas orelhas pérolas inestimáveis. Ele vos envolveu de gemas primaveris e coruscantes e vos deu uma coroa de ouro marcada com o sinal da santidade. 

Portanto, irmã caríssima, ou melhor, senhora muito digna de veneração, porque sois esposa, mãe e irmã do meu Senhor Jesus Cristo, ficai firme no santo serviço do pobre Crucificado, ao qual vos dedicastes com amor ardente. Ele suportou por todos nós a paixão da cruz e nos arrancou do poder do príncipe das trevas, que nos acorrentava pela transgressão de nosso primeiro antepassado, e nos reconciliou com Deus Pai.

Ó bem-aventurada pobreza, que àqueles que a amam e abraçam concede as riquezas eternas. Ó santa pobreza, aos que a têm e desejam Deus prometeu o reino dos céus, e são concedidas sem dúvida alguma a glória eterna e a vida feliz! Ó piedosa pobreza, que o Senhor Jesus Cristo dignou-se abraçar acima de tudo, ele que regia e rege o céu e a terra, ele que disse e tudo foi feito! Pois disse que as raposas têm tocas e os passarinhos têm ninhos mas o Filho do Homem, Jesus Cristo, não tem onde reclinar a cabeça. Mas, inclinando a cabeça, entregou o espírito. 

Portanto, se tão grande e elevado Senhor, vindo a um seio virginal, quis aparecer no mundo desprezado, indigente e pobre, para que os homens, paupérrimos e miseráveis, na extrema indigência do alimento celestial, nele se tornassem ricos possuindo os reinos celestes, vós tendes é que exultar e vos alegrar muito, repleta de imenso gáudio e alegria espiritual, pois tivestes maior prazer no desprezo do século que nas honras, preferistes a pobreza às riquezas temporais e achastes melhor guardar tesouros no céu que na terra, porque lá nem a ferrugem consome nem a traça rói, e os ladrões não saqueiam nem roubam. Vossa recompensa será enorme nos céu, e merecestes ser chamada com quase toda a dignidade de irmã, esposa e mãe do Filho do Pai Altíssimo e da gloriosa Virgem.

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