Paróquia São Francisco de Assis

Rua Borges Lagoa, 1209 - Vila Clementino - São Paulo - SP

(11) 5576-7960

paroquiavila@franciscanos.org.br

Caminhada Franciscana: encontro com o próximo

caminhada_alto

Nos dias 30 e 31 de agosto quase 110 pessoas, entre jovens, sendo 7 jovens de nossa paróquia, frades, religiosas e adultos, se reuniram em Aparecida para participar da 2ª Caminhada Franciscana da Juventude, promovida pelo Serviço de Animação Vocacional (SAV) e pelo Pró-Vocações Franciscanas (PVF). Um ônibus saiu de São Paulo na manhã de sábado e outro do Rio de Janeiro na madrugada de sexta-feira, trazendo os jovens de Petrópolis, Nilópolis, Rocinha e Duque de Caxias. Outros participantes foram direto para a Basílica de Nossa Senhora Aparecida. Às 9h30, todos se reuniram para receber as primeiras instruções e partir rumo ao Seminário Frei Galvão, em Guaratinguetá. Muita expectativa entre os participantes!

Para Cristy Azevedo, que ajudou na preparação da 2ª Caminhada, o encontro com o outro era a maior expectativa desde o início. “Saímos de nossas casas com uma enorme vontade de, nesses dois dias de caminhada, ir ao encontro do outro, na acolhida, na convivência fraterna, na partilha de experiências e de nossa própria vida”, afirma a jovem.

10624887_10204209489904893_6275894936140821653_nOs 10 primeiros quilômetros foram repletos de alegria. Cantos, brincadeiras, muito riso e felicidade entre os caminheiros. Uma breve parada para beber água, e recuperar o fôlego, na divisa entre as cidades de Aparecida e Guaratinguetá. Frei Alexandre Rohling, OFM e Lucas ficaram no apoio, ajudando no transporte de materiais e no abastecimento de água. A segunda parada aconteceu no convento Nossa Senhora das Graças, das Irmãs Franciscanas da 3ª Ordem Seráfica, em Guaratinguetá, que acolheram os peregrinos com água, suco, frutas e muito carinho.

De lá, os participantes continuaram a caminhada rumo ao Seminário Frei Galvão, onde mais uma vez foram acolhidos com muita alegria. Pausa para almoço, servido pelos freis e postulantes, descanso e as instruções para a próxima etapa: a chegada à Fazenda da Esperança.

A Fazenda da Esperança

A Fazenda da Esperança é uma comunidade terapêutica de recuperação de dependentes químicos. Foi fundada há mais de 30 anos, e atualmente está presente em mais de 10 países. Os jovens partiram para lá, fazendo os próximos 13 quilômetros da Caminhada, tendo como motivação o encontro de São Francisco com o leproso. No caminho, um texto do Frei Vitório Mazzuco, OFM, foi proposto para reflexão. Assim como Francisco em sua época, estes 110 jovens também foram ao encontro dos leprosos dos dias de hoje, excluídos e esquecidos pela sociedade.
Já era fim de tarde e o sol estava se pondo, quando os peregrinos ouviam ao longe uma cantoria alegre: eram as recuperandas e voluntárias da Fazenda da Esperança fazendo uma grande acolhida para todos. Surpresa, emoção, gratidão, uma mistura de sentimentos estava presente nos rostos dos jovens. Muitos abraços, sorrisos e lágrimas!

caminhada_4Para Thaís Rozendo, a maior lição deste encontro foi ouvir as experiências das recuperandas. “Nós reclamamos muito dos nossos problemas, falamos que não aguentamos mais algumas situações, e elas, que estão ali, passaram por algo pior, e disseram sim para a segunda chance. Precisamos dizer sim às coisas boas e dizer não às coisas más e que nos afastam de Deus”, acrescentou.

Em seguida, foi oferecido aos caminheiros um lanche. A acolhida aconteceu no centro feminino, onde as participantes ficaram hospedadas, nas casas das recuperandas. Os homens tiveram mais 6 quilômetros pela frente até chegar no centro de acolhida masculino, onde foram recebidos com mais cantos, mais alegria. Todos foram acolhidos com o gesto do lava-pés. Os homens, numa celebração coletiva, onde os jovens lavaram e beijaram os pés dos peregrinos, e as mulheres nas casas onde ficaram hospedadas, pelas recuperandas que as acolheram. Para o Samuel, de Nilópolis, o gesto do lava-pés marcou sua chegada na Fazenda da Esperança. “A única coisa que eu sentia quando aquele rapaz lavava o meu pé é que eu não era digno daquele gesto”, afirmou durante seu testemunho na celebração de domingo. E acrescentou: “Aqui eu aprendi que não se deve conhecer o Evangelho, se deve viver o Evangelho”.

Na noite de sábado, os dois grupos partilharam um momento de espiritualidade com as recuperandas e recuperandos, rezaram o terço e, em seguida, participaram de uma adoração ao Santíssimo Sacramento. No centro de acolhida feminino, duas jovens partilharam suas experiências de vida, uma recuperanda e uma voluntária. Após o momento de espiritualidade, todos voltaram para as casas, para jantar e descansar.

Missa de encerramento

O dia começou mais cedo para os homens, que tiveram que caminhar até o centro de acolhida feminino, onde aconteceu a Missa de encerramento. A celebração foi presidida por Frei Alvaci Mendes, OFM, coordenador do Pró-vocações, e concelebrada por Frei Diego Melo, OFM, coordenador do Serviço de Animação Vocacional, e por diversos frades que participaram da 2ª Caminhada Franciscana. Em sua homilia, Frei Diego falou a respeito das leituras do dia. “As palavras da liturgia de hoje vêm de encontro com tudo o que vivemos, desde a manhã de ontem, ou muito antes ainda, quando nós lançamos esta proposta, de fazer uma Caminhada Franciscana da Juventude, uma peregrinação, um sair de si. Lá de Aparecida, da Casa da Mãe, e vir aqui, ao encontro do irmão Jesus que nós descobrimos em cada pessoa. Estas leituras vêm mostrar o quanto foi intenso tudo o que nós vivemos aqui nestes dois dias. Não só para nós, que fizemos a Caminhada, mas para toda a família da Fazenda da Esperança que nos acolheu”, afirmou o frade.

caminhada_2Após a homilia, cinco jovens participantes da Caminhada falaram sobre sua experiência, partilhando com as recuperandas um pouco de suas vidas, deixando para elas palavras de ânimo, esperança e gratidão. Irmã Vanderléia falou a respeito da importância da vida comunitária para os religiosos e religiosas, e como a acolhida na Fazenda da Esperança deu um novo sentido para sua vocação. “Quando eu cheguei aqui eu tive uma nova visão do que é a vida comunitária, a acolhida de vocês, esse cuidado com o próximo. Uma cuidava do filho da outra, esta atenção que vocês têm umas com as outras, me tocou muito. Eu realmente tive este encontro com o Evangelho”, disse a religiosa.

Para Frei João Bunga, OFM, estudante de Teologia em Petrópolis, a convivência no centro masculino foi uma experiência de conversão. “A minha estadia durante a noite de ontem na Fazenda foi um momento de conversão. O que eu ouvi durante os testemunhos, e os conselhos que eles vieram pedir me deram mais entusiasmo para que eu abrace ainda mais o carisma franciscano. Esta foi uma caminhada de dar e receber esperança, de cultivar e fortificar mais a fé e o crescimento no amor”, afirmou o frade.

Já Graciela, uma das recuperandas que está na Fazenda da Esperança há 3 meses, disse que acolher os participantes da Caminhada Franciscana foi um momento muito especial. “Pra mim foi um presente de Deus, uma graça muito grande, a esperança que eles trouxeram, a troca de experiências foi muito verdadeira. Nós ficamos muito ansiosas para recebê-las, e elas também, e no final deu tudo certo, foi uma convivência harmoniosa, com Jesus em nosso meio. Não tenho palavras para expressar o carinho, a fé, e a confiança de perseverar que estes jovens trouxeram para todas nós e para mim principalmente”, afirmou.

22Para Sandra, uma recuperanda da Colômbia, que está na Fazenda da Esperança há 1 mês, com sua filha, Samantha, a chegada foi um momento de muita dúvida, mas agora está muito feliz com esta chance que recebeu. “É uma nova experiência, tudo tem sido novo, a convivência, o trabalho, sofrer juntas, um novo encontro com Deus. Minha filha agora está feliz, posso ver em seus olhos. No começo tudo foi muito difícil, os dias demoravam a passar, agora não. O encontro diário na Eucaristia, os atos de amor, os trabalhos na cozinha, acolher uma nova companheira, dividir as tristezas e alegrias, me faz recordar como eu cheguei no primeiro dia”, afirmou.

Sandra falou ainda com muita emoção sobre a convivência com sua filha. “Para ela tudo tem sido muito divertido, outras crianças, outro idioma, para ela é uma grande brincadeira! Aqui dormimos, comemos, rezamos juntas, coisa que antes não era possível fazer, por causa da minha relação com as drogas. Ficávamos muito separadas, ela com minha família, e eu envolvida com as drogas. Agora, ela passa todo o tempo agarrada a mim, me diz a todo momento que me ama. Nos momentos de dificuldades, ela tem sido meu sustento e minha ajuda, e ela está muito feliz” disse, com lágrimas nos olhos.

A Casa de Apoio Sol Nascente

Ao final da Celebração Eucarística, os presentes foram convidados por Irmã Josefina, religiosa franciscana de Siessen, a visitarem a Casa de Apoio Sol Nascente, onde ficam os portadores de HIV, alguns num estágio bem avançado da doença. Frei Diego então foi à frente, com o Santíssimo Sacramento, seguido dos peregrinos e das recuperandas da Fazenda da Esperança. Foi um momento intenso, onde os jovens puderam rezar e estar ao lado destas pessoas, e levar para elas um pouco de esperança e carinho. Para Elaine Pereira, de Petrópolis, a visita à Casa de Apoio foi o momento mais marcante da Caminhada. “Nunca tive contato com os portadores do HIV, e por mais que a gente diga que não, acabamos tendo preconceito. O olhar esperançoso deles, tocar as pessoas, eu me senti como Jesus, tocando nas pessoas sem medo, e isso eu vou levar pro resto da minha vida”, afirmou.

Após o almoço, os participantes se despediram de todas, e partiram de volta para o Seminário Frei Galvão, onde chegaram quase no final da tarde do domingo. No jardim, todos fizeram um círculo e rezaram, agradecendo a Deus pela experiência vivida e compartilhada nestes dois dias.

Houve ainda um momento de partilha, comemorando o aniversariante do mês, Frei Diego, que recebeu o abraço carinhoso de sua mãe, que participou de toda a Caminhada, e o aniversariante do dia, o postulante Matheus Borsoi. Os aniversariantes cantaram parabéns e cortaram um bolo, que foi servido para todos antes do retorno para suas cidades de origem.

57O organizador da Caminhada, Frei Diego, destacou três pontos que chamaram sua atenção nesta 2ª Caminhada Franciscana da Juventude. O primeiro foi a adesão dos jovens, tendo em vista que esta foi uma segunda experiência, para a qual eram esperados cerca de 50 participantes. O frade destaca que a enorme procura é a confirmação de que esta é uma atividade que vale a pena o investimento, e também quanto os jovens gostam deste tipo de atividade, que une a espiritualidade com a realidade juvenil e seus anseios.

Outro ponto destacado foi a presença dos outros frades, de Guaratinguetá, de São Paulo, e do Rio de Janeiro. Para ele, isso demonstra que este não é um trabalho apenas do SAV e PVF, mas um trabalho realizado em sintonia com toda a Província.

O frade destacou também a experiência do encontro com o leproso. A caminhada é permeada pela espiritualidade franciscana, e esta caminhada teve como pano de fundo o abraço de Francisco com o leproso. “Muito mais do que beijar, São Francisco deixou-se ser beijado. Percebendo a alegria , e emoção e o entusiasmo dos jovens, eles foram beijados e tocados por eles”, afirmou Frei Diego.

Érika Augusto

X