Paróquia São Francisco de Assis

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Palavra do Paroco › 08/05/2022

Maio de todas as mães!

No universo de nossas devoções, o mês de maio é dedicado à Maria, Mãe de Jesus e Mãe nossa também. Como diz a antiga e bela cantiga de Pe. Zezinho, “em cada mulher que a terra criou, um traço de Deus, Maria deixou, um sonho de mãe, Maria plantou, para o mundo encontrar a paz”. Em cada mulher, há algo de divino, porque, assim como Deus, cada mulher possui o dom de dar a vida, de gerar a vida; coisa que só Deus, a fonte da vida, consegue realizar.

Voltando nosso olhar de filhos e filhas à Maria neste mês de maio, voltemos nosso coração para nossas mães. Sabemos que o que faz crescer um filho, é o alimento, a bebida, as vitaminas e tantos outros elementos que contribuem para o crescimento biológico de um novo ser humano. Somos natureza. Contudo, o que seria de um ser humano que ao longo de seus primeiros anos de vida, não tivesse recebido nenhuma porção de amor, cuidado, proteção, afeto? O crescimento de alguém depende fundamentalmente deste amor que se faz alimento no cotidiano da vida. Isso é vital para todos, pois somos também algo a mais que a dimensão biológica. Talvez uma mãe amorosa seja a primeira conexão que o filho pequeno cria com o mundo para além de seu pequeno corpo. A mãe é o universo se abrindo para o novo ser que começa a se desenvolver. Mãe é vocação divina, porque nos abre para o outro, para o mundo.

Abaixo, trazemos alguns versos de um poema sobre as mães de Martha Medeiros, intitulado: “O mundo não é maternal”:

“O mundo nos olha superficialmente. Não consegue enxergar através. Não detecta nossa tristeza, nosso queixo que treme, nosso abatimento. O mundo quer que sejamos lindos, sarados e vitoriosos para enfeitar ele próprio, como se fôssemos objetos de decoração do planeta. O mundo não tira nossa febre, não penteia nosso cabelo, não oferece um pedaço de bolo feito em casa.

O mundo quer nosso voto, mas não quer atender nossas necessidades. O mundo, quando não concorda com a gente, nos pune, nos rotula, nos exclui. O mundo não tem doçura, não tem paciência, não para para nos ouvir. O mundo pergunta quantos eletrodomésticos temos em casa e qual é o nosso grau de instrução, mas não sabe nada dos nossos medos de infância, das nossas notas no colégio, de como foi duro arranjar o primeiro emprego. Para o mundo, quem menos corre, voa. Quem não se comunica se trumbica. Quem com ferro fere, com ferro será ferido. O mundo não quer saber de indivíduos, e sim de slogans e estatísticas.

Mãe é de outro mundo. É emocionalmente incorreta: exclusivista, parcial, metida, brigona, insistente, dramática, chega a ser até corruptível se oferecermos em troca alguma atenção. Sofre no lugar da gente, se preocupa com detalhes e tenta adivinhar todas as nossas vontades, enquanto que o mundo propriamente dito exige eficiência máxima, seleciona os mais bem-dotados e cobra caro pelo seu tempo.

Mãe é de graça.”

Sobre as mães que já foram para junto de Deus: “As mães nunca morrem. Elas entardecem, tingem de nuvens os cabelos e viram pôr do sol” (Autoria desconhecida).

Um fraterno e caloroso abraço a todos os nossos paroquianos e paroquianas, de um modo especial, a todas as mães e aquelas mulheres que, mesmo não gerando biologicamente filhos, são fecundas, promovem a vida de outras formas, por seu amor vivenciado, sua fé e dedicação.

 

Frei Valdecir Schwambach, OFM
Pároco

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