Paróquia São Francisco de Assis

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Palavra do Paroco › 05/08/2021

Novas Possibilidades

Queridos Paroquianos!

Paz e Bem!

O segundo semestre do ano de 2021 nos traz novas possibilidades. Vamos confiar que, aos poucos, as coisas vão tomando seu devido lugar e nós, enquanto sociedade, aprendendo a conviver com as mudanças que a pandemia e outras circunstâncias da vida exigiram de nós. Somos seres que se adaptam e aprender a adaptar-se com as mudanças é vital para nós. Somos seres inacabados, nunca estamos prontos, mas, lembremos o que diz Paulo aos Romanos: “Tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8,28).

O mês de agosto nos faz lembrar das diversas vocações que compõem o panorama da vida e da Igreja: a vocação do presbítero, que é a vocação de animar, fortalecer, ensinar, criar comunhão entre a comunidade e toda a Igreja e lembrar que todos fazemos parte da porção dos filhos e filhas de Deus. A vocação dos pais, vocação da família. Uma família que cultiva o amor, o respeito mútuo, o acolhimento, é por si só, sinal de fecundidade, da presença de Deus neste mundo. Celebramos a vocação dos religiosos e religiosas, daqueles que se consagram porque acreditam que podem viver, no aqui e agora, a experiência que Deus reservou para todos no seu Reino. Por fim, lembramos da vocação dos catequistas, sintetizando nesta memória, todas as vocações dos “leigos” que se dedicam a aproximar a pessoa de Jesus Cristo e seu rosto misericordioso à vida de tantos homens e mulheres. Estas vocações nos lembram que precisamos olhar sempre para Jesus. Nossa fé é “cristocêntrica”, pois ele é a “imagem visível do Deus invisível” (Cl 1, 15).

O início do mês de agosto é marcado, para a Família Franciscana, com a festa de Nossa Senhora dos Anjos. Nossa Senhora dos Anjos é um local, uma experiência para os primeiros frades, mas permanece até hoje como local onde toda a Ordem Franciscana busca a força das origens em São Francisco de Assis. Trazemos abaixo alguns textos dos escritos das Fontes Franciscanas, que nos remetem ao significado primeiro da Porciúncula: pequena capela no vale da cidade de Assis, dedicada à Nossa Senhora dos Anjos, onde nasceu a Ordem Franciscana.

“Vendo o bem-aventurado Francisco que o Senhor queria aumentar o número de seus frades, disse-lhes um dia: ‘Caríssimos irmãos e meus filhinhos, vejo que o Senhor quer fazer crescer a nossa família. Parece-me que seria prudente e próprio de religiosos irmos pedir ao Senhor Bispo ou aos cônegos de S. Rufino ou ao abade do mosteiro de São Bento uma igreja pequena e pobre onde os frades possam recitar as horas e, ao lado, uma casa pequena e pobre, de barro e de vimes, onde os frades possam descansar e fazer o que lhes for necessário. O lugar que agora habitamos já não é conveniente e a casa é exígua demais para nos abrigar, visto que aprouve ao Senhor multiplicar-nos. Foi então apresentar ao bispo o seu pedido, que lhe respondeu assim: ‘Irmão, não tenho igreja para vos dar’. Dirigiu-se em seguida aos cônegos de S. Rufino. Estes deram-lhe a mesma resposta. Foi dali ao mosteiro de São Bento do Monte Subásio. Falou ao abade como fizera ao bispo e aos cônegos, relatando-lhe a resposta que deles obtivera. O abade compadecido, depois de se aconselhar com os seus monges, resolveu com eles, como foi da vontade de Deus, entregar ao bem-aventurado Francisco e seus frades a igreja de Santa Maria da Porciúncula, a mais pobre que eles possuíam. Para o bem-aventurado Francisco era tudo quanto de há muito desejava. Não cabia em si de contente, com o benefício recebido: porque a igreja era dedicada à Mãe de Cristo; porque era muito pobre; e também pelo nome que era conhecida. Era, com efeito, chamada de Porciúncula, presságio seguro de que viria a ser cabeça e mãe dos pobres frades menores. O nome de Porciúncula tinha sido dado a esta igreja por ter sido construída numa porção acanhada de terreno que de há muito assim era chamada” (Legenda Perusina, cap. 8).

“Depois que o santo de Deus trocou de hábito e acabou de reparar a Igreja de São Damião, mudou-se para outro lugar próximo da cidade de Assis, chamado Porciúncula, onde havia uma antiga igreja de Nossa Senhora Mãe de Deus, mas estava abandonada e nesse tempo não era cuidada por ninguém. Quando o santo de Deus a viu tão arruinada, entristeceu-se porque tinha grande devoção para com a Mãe de toda bondade, e passou a morar ali habitualmente. No tempo em que a reformou, estava no terceiro ano de sua conversão” (Tomás de Celano, Vida I, cap. 9, 21).

“Embora o Seráfico Pai soubesse que o reino dos céus é estabelecido em todos os lugares da terra, sabia, no entanto, por experiência, que Santa Maria dos Anjos havia sido contemplada com bênçãos especiais. Por isso, recomendava sempre os frades: ‘Meus filhos, tende cuidado de jamais abandonar este lugar. Se vos expulsarem por uma porta, entrai pela outra. Este lugar é sagrado, morada de Cristo e da Virgem Maria, sua bendita Mãe. Aqui, quando éramos apenas um pequeno número, o bom Deus nos multiplicou. Aqui ele iluminou a alma destes pequeninos com a luz de sua sabedoria, abrasou a nossa alma com o fogo de seu amor” (Espelho da Perfeição, cap. 83).

“Neste tempo nasceu a Ordem dos Frades Menores, multidão de homens que, então, começou a seguir o exemplo do Seráfico Pai. Clara, esposa de Cristo, recebeu nesta igreja a tonsura, despojando-se das pompas do mundo para seguir a Cristo. Aqui, para Cristo, a Santa Virgem Maria gerou os frades e as Pobres Damas, e, por meio deles, deu Cristo ao mundo. Aqui, estrada larga do mundo antigo tornou-se estreita e a coragem dos que foram chamados tornou-se maior. Aqui foi composta a Regra, a santa pobreza foi reabilitada, a vaidade humilhada e a cruz alçada às alturas. Se algumas vezes o Seráfico Pai sentiu-se conturbado e aflito, neste lugar reanimou-se, o seu espírito recuperou a paz interior. Aqui desaparece toda a dúvida. Por fim, aqui se concede aos homens tudo que o pai pediu por eles” (Espelho da Perfeição, cap. 84).

Queridos amigos e amigas, desejo que a meditação dos textos franciscanos ajude você a encontrar e a fazer do lugar onde você está, onde você trabalha, também uma pequena porciúncula, uma morada de paz, de serenidade. Morada de Deus, morada dos anjos!

Um fraterno abraço!

 

Frei Valdecir Schwambach
Pároco

 

 

 

 

 

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