Paróquia São Francisco de Assis

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Palavra do Paroco › 02/09/2021

O Pão da Palavra, a Natividade de Nossa Senhora e a Santa Cruz

Estimados Paroquianos,

Paz e Bem!

 

O mês de agosto, marcado pela temática vocacional termina e agora iniciamos setembro em que somos desafiados a nos servirmos um pouco mais da Palavra de Deus, como Pão que alimenta nossa fome espiritual. Fome esta de estarmos um pouco mais em contato com a própria pessoa de Jesus Cristo que nos deixou o Pão da Sua Palavra, como alimento para nossa caminhada de fé e assim, aprendermos sempre o que é tornar-se discípulo e discípula de Jesus.

Para este ano de 2021, o tema do mês da Bíblia é tirado da Carta de São Paulo Apóstolo aos Gálatas “pois todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,28). A proposta deste tema visa gerar uma reflexão sobre a importância da unidade no seio das comunidades. Unidade que se torna um tesouro precioso, pois trata-se de um importante testemunho de fé, de amor e comunhão quando a maioria das pessoas da sociedade não se entendem mais e parece que tudo tende para uma certa divisão, quando não ódio, vingança e até mesmo procura pela violência como forma de eliminar a presença do outro.

Celebramos em setembro duas datas sobre as quais tecerei breves comentários:

 

Natividade de Nossa Senhora

Festa celebrada no dia 08 de setembro. “Celebremos com alegria o nascimento da Virgem Maria: por ela nos veio o Sol da justiça, o Cristo, nosso Deus” (Antífona da entrada da missa do dia). O Missal Romano apresenta alguns dados sobre esta festa: “Esta celebração, que molda em Cristo as prerrogativas da Mãe, foi introduzida pelo Papa Sérgio I (séc. VII), no contexto da tradição oriental. A natividade da Virgem liga-se estreitamente com a vinda do Messias, como promessa, preparação e fruto da salvação. Maria preanuncia ao mundo toda a alegria do Salvador.

A Igreja católica não costuma celebrar o dia de nascimento dos santos, mas sim o de sua morte, pois trata-se do dia de sua páscoa: nascimento para Cristo. Há, no entanto, três celebrações de nascimento: de Jesus Cristo (Natal); de São João Batista e o da própria Virgem Santíssima.    

A Natividade de Nossa Senhora é celebrada nove meses depois da celebração da solenidade da Imaculada Conceição (8 de dezembro). É toda a Igreja que faz o convite: “Vinde, todas as nações, vinde, homens de todas as raças, línguas e idades, de todas as condições: com alegria celebremos a natividade da alegria! (…) Que a criação inteira se alegre, festeje e cante a natividade de uma santa mulher, porque ela gerou para o mundo um tesouro imperecível de bondade, e porque por ela o Criador mudou toda a natureza humana em um estado melhor!” (S. João Damasceno – século VIII).

Em um famoso sermão feito por ocasião da festa da Natividade, Padre Antônio Vieira (século XVII) perguntou: “Quereis saber quão feliz, quão alto é e quão digno de ser festejado o Nascimento de Maria?” Ele mesmo respondeu: “Vede para que nasceu: nasceu para que dela nascesse Deus. (…) Perguntai aos enfermos para que nasce esta celestial Menina: dir-vos-ão que nasce para Senhora da Saúde; perguntai aos pobres, dirão que nasce para Senhora dos Remédios; perguntai aos desamparados, dirão que nasce para Senhora do Amparo; perguntai aos desconsolados, dirão que nasce para Senhora da Consolação; perguntai aos tristes, dirão que nasce para Senhora dos Prazeres; perguntai aos desesperados, dirão que nasce para Senhora da Esperança. Os cegos dirão que nasce para Senhora da Luz; os discordes, para Senhora da Paz; os desencaminhados, para Senhora da Guia; os cativos, para Senhora do Livramento; os cercados, para Senhora da Vitória. Dirão os pleiteantes que nasce para Senhora do Bom Despacho; os navegantes, para Senhora da Boa Viagem; os temerosos da sua fortuna, para Senhora do Bom Sucesso; os desconfiados da vida, para Senhora da Boa Morte; os pecadores todos, para Senhora da Graça; e todos os seus devotos, para Senhora da Glória. E se todas estas vozes se unirem em uma só voz, dirão que nasce para ser Maria e Mãe de Jesus”.

 

Exaltação da Santa Cruz

Festa celebrada no dia 14 de setembro. É a celebração do “triunfo da Cruz”. O Missal Cotidiano, assim expõe: “O uso litúrgico, que requer a Cruz próxima do altar quando se celebra a missa, representa uma evocação da figura bíblica da serpente de bronze que Moisés elevou no deserto; olhando-a os hebreus mordidos pelas serpentes, eram curados. Em sua narrativa da Paixão, devia João ter presente o simbolismo profundo deste grande ‘tipo’: ‘Contemplarão aquele que traspassaram’ (Zc 12,10; Jo 19,37).”

 

Segue o Missal Cotidiano, discorrendo sobre o sentido de tal festa: “Seria conveniente que este símbolo nos fizesse voltar aos verdadeiros “crucifixos” de sempre: os pobres, os doentes, os velhos, os explorados, as crianças excepcionais, etc.”

No dia do batismo, tivemos nossa fronte assinalada pelo sinal de cruz. Marca invisível dada a nós como herança, por sermos feitos filhos e filhas de Deus e termos Jesus, que assumiu a Cruz, como nosso Salvador. Muito se tem pregado um Cristo sem cruz. Negar a cruz de Cristo é negar sua humanidade, seu sofrimento, sua fidelidade ao mundo e seu amor infinito por sua Igreja que somos cada um de nós. Na Cruz do Senhor está a nossa força, porque sabemos que em Cristo somos todos antecipadamente vitoriosos, pois Cristo, pela cruz, triunfou sobre o maior mal: a morte. Termino lembrando o que diz João: “Quanto eu for exaltado da terra, atrairei a mim todas as coisas” (12,32).

Abençoado mês de setembro a todos!

 

Fr. Valdecir Schwambach, OFM
Pároco

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