Paróquia São Francisco de Assis

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Notícias › 29/10/2013

Missa da Peregrinação das Famílias

1384273_482066311901421_475238346_nA oração familiar é a primeira característica fundamental da vida de uma família cristã, disse o Papa Francisco na homilia da celebração eucarística de conclusão da Peregrinação das Famílias no Ano da fé, no último domingo, 27/10, na Praça de São Pedro repleta de fiéis e famílias provenientes das diversas partes do mundo.

O texto do Evangelho deste domingo, disse o Papa, põe em evidência dois modelos de oração: um que é um modelo falso, o do fariseu e o outro modelo que é o autêntico, o do publicano. O fariseu encarna uma atitude que não exprime ação de graças a Deus pelos seus benefícios e pela sua misericórdia, mas sim a auto-satisfação. De fato, o Fariseu se considera justo, bondoso e fortificado deste seu ser justo e bondoso ele julga os outros. O publicano pelo contrário, não multiplica as palavras, a sua oração é simples e humilde porque permeada pela consciência da própia indignidade, da sua miséria humana e por isso desejoso do perdão e da misericórdia de Deus.

“Rezais algumas vezes em família? Algumas famílias o fazem certamente. Mas tantos perguntam-me: como se faz para rezar juntos em família? A oração é algo de pessoal e por outro lado não se encontra nunca um tempo apropriado, tranquilo para o efeito etc. Sim, é verdade, mas é também uma questão de humildade, de reconhecer que, tal como o publicano, também nós temos necessidade de Deus. Todas as famílias precisam de Deus, da sua misericórdia. E é preciso simplicidade! Rezar juntos a oração do Pai nosso durante as refeições. Isso é possível e não requer algo de extraordinário. Recitar juntos o terço em família é bonito, dá tanta força e rezar uns para os outros. A oração fortifica a família”.

A segunda caraterística fundamental da vida de uma família cristã, disse o Papa, é a família como santuário da fé, o lugar onde se conserva a fé. Na segunda Carta à Timóteo, o apostolo Paulo afirma ter conservado a fé. Mas como a conservou, perguntou ainda o Papa Francisco?

“Não num cofre. Não a escondeu num lugar subterrâneo como fez o servo preguiçoso. S. Paulo comparou a sua vida àquela de uma batalha e de corrida. Ele conservou a fé porque não se limitou a defendê-la, mas anunciou-a irradiou-a, levou-a aos confins da terra. Ele se opôs decididamente, de forma vigorosa a todos aqueles que a queriam conservar, aqueles que queriam embalsamar a mensagem de Cristo limitando-a aos meros confins da Palestina. Por isso ele fez opções corajosas, foi para territórios hostis, deixou-se provocar por todos aqueles que viviam em lugares longínquos, de culturas diferentes, falou com franqueza sem medo. S. Paulo conservou a fé porque tal como a recebeu, doou-a, andando nas periferias e sem nunca permanecer nas posições defensivas”.

Daí, que também a partir deste exemplo de S. Paulo, cada família pode perguntar-se: de que maneira nós preservamos a nossa fé? A conservamos só para nós, nas nossas famílias como um bem privado, um conto bancário ou somos capazes de partilhá-la mediante o testemunho da nossa vida de acolhimento, de abertura aos outros. Recordando por conseguinte o frenesim das famílias jovens desta nossa era, o Papa chamou a atenção para o fato que também nesta corrida pode haver espaço para uma outra corrida, um frenesim da fé”.

Finalmente, o Papa Francisco salientou como terceira características da vida da família cristã, a alegria: a família como lugar da vida na alegria. E neste sentido disse o Papa:

“A verdadeira alegria que se vive na família não é algo de superficial, não provém das coisas, das circunstâncias mais ou menos favoráveis. A verdadeira alegria provém da harmonia profunda que reina entre pessoas, aquela alegria que todos sentem no fundo do seu coração e que os faz viver a beleza de estarem juntos, ajudarem-se mutuamente no caminho da vida. Mas na base deste sentimento de alegria profunda está a presença de Deus na família, o seu amor misericordioso, respeitoso de todos. Só Deus sabe criar a harmonia das diferenças”.

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Neste sentido o Papa recordou a todos que quando falta o amor de Deus também a família corre o risco de perder a harmonia, prevalecendo por conseguinte no seio familiar, o individualismo que é sinal do fim da alegria. Por isso é necessário, exortou ainda o Papa, que as famílias vivam sempre com fé e simplicidade como a Sagrada Família de Nazaré.

No final da celebração, o Santo Padre dirigiu-se, em oração, num “olhar de admiração e confiança”, à Sagrada Família de Nazaré, nela contemplando – disse – “a beleza da comunhão do amor verdadeiro” e recomendando todas as famílias.

À Família de Nazaré, “atraente escola do santo Evangelho”, o Papa pediu que a todos ensine uma “sapiente disciplina espiritual”, dando “o olhar límpido que sabe reconhecer a obra da Providência nas realidades quotidianas da vida”.

A oração do Papa a Jesus, Maria e José prosseguiu invocando da Sagrada Família “a estima do silêncio” que torne as famílias “cenáculos de oração, transformando-as em pequenas Igrejas domésticas, renovando o desejo de santidade, mantendo a nobre fadiga do trabalho, da educação, da escuta, da compreensão recíproca e do perdão”.

E concluiu nos seguintes termos:

“Sagrada Família de Nazaré, restabelece na nossa sociedade a consciência do carácter sagrado e inviolável da família, bem inestimável e insubstituível.
Que cada família seja morada acolhedora de bondade e de paz para as crianças e para os idosos, para quem está doente ou sozinho, para quem é pobre e necessitado.
a vós nos confiamos com alegria.”

E ainda antes de concluir a celebração com a bênção final, o Santo Padre dirigiu uma saudação afetuosa a “todos os peregrinos, especialmente a vós, queridas famílias, vindas de tantos países”…

Saudou também expressamente os Bispos e fiéis da Guiné Equatorial, vindos a Roma por ocasião da ratificação do Acordo com a Santa Sé:

“Que a Virgem Imaculada proteja o vosso amado povo e vos obtenha a graça de progredir no caminho da concórdia e da justiça”

Introduzindo a recitação da tradicional oração do Ângelus, o Papa quis confiar especialmente à Virgem “as famílias do mundo inteiro, de modo particular as que vivem situações de maior dificuldade”.
E repetiu, por três vezes, com a imensa assembleia presente na Praça de São Pedro: “Maria, Rainha das Famílias, rogai por nós!”

Fonte: site da Arquidiocese de São Paulo

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