FESTA DA EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ
Arnaldo Borges da Silva Filho
Fraternidade São Francisco de Assis
de Vila Clementino/SP
Na Cruz nasce toda a esperança do cristão!
Desde o começo do Cristianismo que o “sinal da Cruz” é usado como significando pertença, bênção e exorcismo.
Trata-se de uma festa muito antiga, pois a partir do século III, o sinal da Cruz já era feito sobre a fronte das pessoas nos ritos de iniciação cristã em Roma. Esse gesto assinalava os que aceitavam pertencer a Cristo.
A origem desta festa remonta ao século IV, quando Santa Helena, mãe do Imperador Constantino, viajou para a Terra Santa em peregrinação. Durante sua jornada, ela descobriu, em 14 de setembro de 320, próximo ao Monte Calvário, a verdadeira cruz na qual Jesus Cristo foi crucificado. A festa litúrgica da exaltação da Santa Cruz está diretamente relacionada à dedicação das duas basílicas constantinianas construídas em Jerusalém sobre o Gólgota (lugar da crucificação) e sobre o sepulcro (lugar da ressurreição) e consagradas no ano de 335, nove anos após Santa Helena ter encontrado a cruz de Cristo.
Segundo a tradição, após a consagração das duas Basílicas em 13 de setembro de 335, houve no dia seguinte, naquela cidade, a festa da “inventio crucis” (descoberta da cruz), com a Ostensão (exposição) das relíquias do Lenho do Senhor.
Neste dia, todos os anos, a Igreja festeja a “Exaltação da Santa Cruz”, numa solenidade muito importante e significativa para todo o Cristianismo Católico. É a festa principal dos Cônegos Regulares da Ordem da Santa Cruz.
Em algumas partes da Comunhão Anglicana a festa é chamada “Santo dia da Cruz”, um nome também utilizado pelos Luteranos.
Na igreja Ortodoxa Oriental, a festa da “Exaltação Universal da Honorável e Vivificante Cruz” é considerada uma das doze grandes festas do calendário litúrgico. 
Não se glorifica qualquer cruz, mas a Cruz de Cristo, e tampouco a crueldade nela explícita, mas o Amor que Deus manifestou aos homens ao aceitar morrer crucificado: “Mesmo sendo Deus, Cristo humilhou-se, fazendo-se de servo. Eis a Exaltação da Cruz de Jesus” ( Papa Francisco).
Hoje, nós Cristãos exaltamos essa fonte de vida, e não aquele primitivo sinal de morte e condenação, pelo contrário, aproxima-nos da fonte da esperança, uma vez que Cristo lhe deu novo significado.
A Cruz é condição aos que desejam segui-lo, uma vez que até o sofrimento nos pode purificar, se o aceitarmos em nome de Cristo e a Ele oferecermos, pois o Senhor a carregou primeiro e a ela se entregou em prol da Salvação Universal.
Pela Cruz Deus santificou o ser humano inteiramente e dali brotou a Glória da Ressurreição.
São Francisco de Assis diante do grande mistério e amor ao Santo Lenho, centro de sua espiritualidade, teve seu corpo marcado com as chagas de Cristo, em data próxima da Festa da Santa Cruz em 1224.
No presente ano comemoramos os 800 anos desse milagre, sinal da identificação franciscana plena com o Amor de Deus. Não é de se admirar que Francisco seja visto e considerado como um homem marcado pela cruz de maneira especial, tanto por seus companheiros como pelos biógrafos.
Assim o descreve Tomás de Celano (3Cel 2): “O homem novo, Francisco, tornou-se famoso por um novo e estupendo milagre: por um singular privilégio jamais concedido nos séculos anteriores, ele foi marcado com os sagrados estigmas ‘tornando-se semelhante em seu corpo mortal ao do Crucificado’… O homem de Deus tinha pela cruz do Senhor um amor apaixonado, quer em público, quer em particular.
“Frei Silvestre, um dos seus primeiros irmãos. e homem de grande virtude, viu sair da boca de Francisco uma cruz dourada, que abrangia, na extensão de seus braços, todo o universo” (cf. LTC 31).
Realmente o santo meditava constantemente no fato de Jesus ter sido crucificado por todos os homens e muito lamentava ver que o amor não era conhecido e amado por todos. E com o sinal da cruz enviou os seus frades por todas as partes a pregar o Evangelho a todas as nações, nas quatro direções dos braços da cruz, pois a Cruz é sinal do amor de Deus que penetra e abençoa todos os âmbitos deste mundo.
É sinal de esperança, porque não há sofrimento ou dor que, pelo Redentor, não possa ser superado. Cada um de nós está marcado pela cruz, mas recebe também a promessa da ressurreição e a força da esperança, pela cruz, morte e ressurreição de nosso Salvador, Jesus Cristo!
Que esta lembrança possa nos motivar a viver os ensinamentos do Mestre, carregando nossas cruzes diárias com fé, esperança e amor.
Por meio delas chegaremos a alegria da Páscoa do Senhor.

