A Quaresma é um tempo forte do Ano Litúrgico da Igreja, marcado por quarenta dias de preparação para a celebração da Páscoa do Senhor. Suas origens remontam aos primeiros séculos do cristianismo, quando a Igreja reservava esse período para a preparação dos catecúmenos que receberiam os sacramentos da iniciação cristã e para a reconciliação dos penitentes.
Inspirada nos quarenta dias de Jesus no deserto, bem como em outros momentos bíblicos de prova e intimidade com Deus, a Quaresma se consolidou como um tempo de oração, jejum e caridade.
Para os católicos, a Quaresma é um convite profundo à conversão do coração. É tempo de silenciar, rever caminhos, reconhecer fragilidades e permitir que a misericórdia de Deus nos restaure. A Igreja nos chama a olhar para dentro de nós mesmos, confrontar aquilo que nos afasta do Evangelho e retomar, com simplicidade e confiança, o caminho do seguimento de Cristo. Não se trata apenas de práticas externas, mas de uma transformação interior que se expressa em gestos concretos de amor, reconciliação e serviço.
À luz do carisma franciscano, a Quaresma ganha contornos ainda mais profundos. São Francisco de Assis viveu intensamente o chamado à conversão, entendendo-a como um processo contínuo de voltar-se a Deus com todo o ser. Para ele, converter-se era escolher a simplicidade, a humildade e a fraternidade; era reconhecer-se pequeno diante do Criador e irmão de todas as criaturas. O espírito quaresmal, vivido à maneira franciscana, nos convida a despojar o coração do supérfluo, a cultivar a paz, a cuidar dos mais pobres e a reconciliar-nos com a criação.
Assim, a Quaresma se torna um tempo privilegiado para redescobrir a alegria do Evangelho vivido com autenticidade. Pela oração sincera, fortalecemos nossa intimidade com Deus; pelo jejum consciente, educamos nossos desejos e abrimos espaço para o essencial; pela caridade generosa, tornamo-nos instrumentos da misericórdia divina no mundo.
Que este tempo quaresmal seja, para todos nós, uma verdadeira experiência de conversão. Deixemo-nos conduzir pelo Espírito Santo, à exemplo de São Francisco, para que possamos caminhar com passos firmes rumo à Páscoa, renovados na fé, na esperança e no amor. Acolhamos o convite da Igreja: “Convertei-vos e crede no Evangelho”, e façamos desta Quaresma um tempo fecundo de graça, reconciliação e paz.
Que o Senhor nos conceda uma santa e proveitosa Quaresma. Paz e Bem.