Paróquia São Francisco de Assis

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A VOZ DA IGREJA: DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS DE JESUS, HOJE

Em 1981, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em sua 19ª Assembleia Geral, instituiu agosto como o Mês Vocacional, pois celebramos o dia de São João Maria Vianney – padroeiro dos padres –, o dia dos pais e a Assunção de Maria, modelo dos consagrados. Neste artigo, Dom Odelir José Magri, bispo de Chapecó (SC), nos ajuda a refletir acerca da vocação que permeia todas as outras vocações: a vocação cristã.

O que significa hoje ser cristãos católicos? Prestar culto a Jesus Cristo, receber os sacramentos, pertencer a uma comunidade cristã, aceitar as normas e leis da Igreja, devolver o dízimo e MUITO MAIS. Ser cristão é na verdade um estilo de vida, é um jeito de ser.

Para que Jesus de Nazaré não seja somente uma lembrança saudosa do passado, há um só caminho seguro: tornar-nos seus discípulos. Trata-se de ter “os mesmos sentimentos que havia em Jesus” (Fl 2,5). Isso não significa copiar ao pé da letra a vida de Jesus. É ter, isso sim, seu mesmo estilo de vida, suas mesmas opções, atitudes e motivações. É a espiritualidade do seguimento de Jesus, básica para todo cristão. É um estilo de vida, que se vive a partir das nossas situações concretas, no mundo de hoje, um mundo feito de grandes anseios, de fragilidades espantosas, de medos e esperanças, de oportunidades, de sonhos e lutas. É o mundo do consumismo, do individualismo, da especulação financeira, do desemprego, da corrupção generalizada, da força das fake News (mentiras), da pandemia e também das lutas por um outro mundo diferente e melhor. Os discípulos de Jesus não são seres virtuais, fazem parte desse mundo e buscam viver a fé em meio a todos esses desafios, ao estilo de Jesus.

Sem seguimento de Jesus de Nazaré, há riscos de espiritualismo, uma mistura genérica de religiosidade, de gestos, de ritos vazios. O seguimento de Jesus dá sentido à vida, aos sacramentos, às celebrações, à moral, às lutas e à vida e à missão da Igreja.

Vale recordar que a pandemia nos ajudou a tomar consciência também de alguns dos nossos limites no seguimento de Jesus. A compreensão mais comum do ser cristão hoje se resume em participar do culto ou da santa missa e garantir que os filhos frequentem a catequese. Ou seja, nossa identidade eclesial está basicamente centrada no culto e na catequese. Nesse período de isolamento social, qual foi o pedido mais insistente dos nossos católicos? Não foi a volta das celebrações? Não estou dizendo que isso não seja importante, mas é urgente colher os questionamentos e provocações destes sinais para nossa ação evangelizadora. É urgente nos perguntarmos, por exemplo, como fazer para que a riqueza de toda a vida litúrgica da Igreja seja alimento consistente no cotidiano de nossa vida? É imprescindível redescobrir como alimentar a vida de fé com a Leitura Orante da Palavra de Deus. É fundamental assumir a caridade contínua como parte integrante da nossa fé, assumindo ações que geram experiências de solidariedade e do cuidado da VIDA. Ou seja, é nesta perspectiva que o “Deus que é missão”, não cessa de nos chamar para estar com Ele em missão (Mc 3,14). Isso deveria carimbar a identidade e o estilo das nossas vocações.

“És precioso aos meus olhos… Eu te amo” (Is 43,4). Somos amados e chamados por Deus a participar da sua missão. Que neste mês de agosto, em tempos de pandemia, possamos rezar e proclamar este convite a todos os filhos e filhas de Deus. Sem esquecer que isso exige dar um passo corajoso, assumir uma ação evangelizadora que coloque em primeiro lugar o seguimento de Jesus de Nazaré. “Se nós não testemunharmos Jesus Cristo, nos converteremos em uma pia ONG”, disse Papa Francisco aos 114 cardeais que o haviam eleito no dia anterior (14/03/2013). E aos seis mil jornalistas, presentes no evento histórico, disse: “O centro é Cristo, e não o sucessor de Pedro”.

Disponível em: https://www.cnbb.org.br/mes-vocacional-amados-e-chamados-por-deus/. Acesso 31/07/2020.

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