Paróquia São Francisco de Assis

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São Francisco, como o vejo

francisco_leproso_pierocasentini_1“Como era bonito, atraente e de aspecto glorioso na inocência de sua vida, na simplicidade das palavras, na pureza do coração, no amor de Deus, na caridade fraterna, na obediência ardorosa, no trato afetuoso, no aspecto angelical!

Tinha maneiras simples, era sereno por natureza e de trato amável, muito oportuno quando dava conselhos, sempre fiel a suas obrigações, prudente nos julgamentos, eficiente no trabalho e em tudo cheio de elegância. Sereno na inteligência, delicado, sóbrio, contemplativo, constante na oração e fervoroso em todas as coisas.

Firme nas resoluções, equilibrado, perseverante e sempre o mesmo. Rápido para perdoar e demorado para se irar, tinha a inteligência pronta, uma memória luminosa, era sutil ao falar, sério em suas ações e sempre simples. Era rigoroso consigo mesmo, paciente com os outros, discreto com todos.

Muito eloquente, tinha o rosto alegre e o aspecto bondoso, era diligente e incapaz de ser arrogante. Era de estatura um pouco abaixo da média, cabeça proporcionada e redonda, rosto um tanto longo e fino, testa plana e curta, olhos nem grandes nem pequenos, negros e simples, cabelos castanhos, pestanas retas, nariz proporcional, delgado e reto, orelhas levantadas mas pequenas, têmporas chatas, língua apaziguante, fogosa e aguda, voz forte, doce, clara e sonora, dentes unidos, iguais e brancos, lábios pequenos e delgados, barba preta e um tanto rala, pescoço fino, ombros retos, braços curtos, mãos delicadas, dedos longos, unhas compridas, pernas finas, pés pequenos, pele fina, descarnado roupa rude, sono muito curto, trabalho contínuo.

E como era muito humilde, mostrava toda a mansidão para com todas as pessoas, adaptando-se a todos com facilidade. Embora fosse o mais santo de todos, sabia estar entre os pecadores como se fosse um deles”.

Tomás de Celano, primeiro biógrafo de São Francisco, in “Primeira Vida de S. Francisco”, n.83. 

 

Quem foi Tomás de Celano?

O primeiro biógrafo de São Francisco nasceu por volta de 1185 na cidadezinha de Celano, nas montanhas dos Abruços, não longe de Roma. Acolhido na Ordem, em 1215, pelo próprio São Francisco, como ele conta (ICel 57) foi para a Alemanha como missionário em 1221, como se lê no n. 19 da Crônica de Jordão de Jano.

Deve ter entrado na Ordem já muito preparado, porque sua maneira de escrever demonstra muito bons conhecimentos literários e um amplo domínio do latim. Não foi sem motivo que papas e superiores recorreram a ele.

Em 1223 foi nomeado custódio de Worms, Mogúncia, Colônia e Espira, como diz Jordão de Jano no n. 30, e passou a vice-provincial da Alemanha, na ausência de Cesário de Espira. É provável que estivesse em Assis em 1228 para a canonização de São Francisco. Parece que pertenceu a uma equipe de copistas que a Ordem manteve em Assis.

Passou uns trinta anos trabalhando na biblioteca do Sacro Convento, em Assis, e dando assistência às Clarissas de Tagliacozzo, nas Marcas de Ancona. Em 1256, assim acreditam muitos críticos, completou a Legenda de Santa Clara Virgem. Pelo estilo, há quem lhe atribua também a autoria da bula de canonização de Santa Clara.

É possível que João de Celano, autor da Quasi stella matutina, fosse seu irmão. Tem-se como certo que morreu em 1260, e está sepultado em Tagliacozzo.

A grande obra de Celano

Com o nome de Frei Tomás de Celano conhecemos cinco livros nas Fontes Franciscanas. A Vida l (ICel), a Vida II (2Cel), o Tratado dos Milagres (3Cel), a Legenda Chori (4Cel) e a Legenda de Santa Clara Virgem. Não vamos falar, aqui, da Legenda de Santa Clara, que estudamos amplamente nas Fontes Clarianas.

A Primeira Vida foi escrita a pedido do Papa Gregório IX em 1228 e apresentada ao pontífice no dia 25 de fevereiro de 1229. Por ordem do Capítulo Geral de Paris, em 1266, foi lançada ao fogo, com todos os exemplares de obras escritas sobre São Francisco antes da Legenda Maior de São Boaventura. Só veio a ser encontrada de novo em 1768, graças aos estudiosos bolandistas.

Em 1230, Celano escreveu também uma versão abreviada da Primeira Vida, que se chamou Legenda ad usum chori, e foi usada pelos frades até 1263, A Vida Segunda foi escrita em 1247, aproveitando material apresentado pelo ministro geral Crescêncio de Iesi, que o tinha pedido a toda a Ordem. Dessa vez, Tomás de Celano trabalhou com uma equipe, encarregando-se, porém, da redação final.

A Vida Segunda, destruída em 1266, só foi reencontrada em 1806. O Tratado dos Milagres foi escrito por ordem do ministro geral João de Farina, entre os anos 1250 e 1253. Também foi destruído em 1266 e só foi reencontrado em 1899. Esses quatro livros tiveram sua primeira edição crítica publicada em 1941, no vol. X da Annalecta Pranciscana.

 

 

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