Esse tempo de Natal, hoje, a solidariedade da família do Senhor dá uma festa bem pessoal, que é hoje, festa dos Magos, dos Reis Magos.
Essa manifestação do Senhor vai nos acompanhando e perpassando as grandes celebrações litúrgicas, sem contar que, usando uma expressão bem popular, o amor se fechando em cada dia da nossa liturgia o tempo todo.
Quero dar aqui um exemplo das grandes festas. É com muita alegria que nós não celebramos hoje apenas essa epifania, essa manifestação dentro de Belém, mas temos presente também o todo do mistério pascal de Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim, a festa que hoje celebramos, a solidariedade da família, é uma das festas mais antigas do Cristianismo, onde comemoramos e contemplamos a revelação de Nosso Senhor Jesus Cristo ao mundo, simbolizada na visita dos três Reis Magos à gruta de Belém.
O Natal, como já refletimos, é a festa da vida, pois o menino Deus não nasceu apenas para uma pequena família reservada a José e Maria, nem apenas para o pequeno grupo de pastores que foram privilegiados a contemplar o menino na gruta de Belém. A festa da Epifania do Senhor é a festa da vida para toda a humanidade. Deus, em Jesus Cristo, manifesta Sua vida e revela a Sua salvação a todos os homens e todas as mulheres de boa vontade.
Sim, meus irmãos, olhando para o menino Jesus, podemos dizer que não basta que nasça apenas a vida. É preciso que esta vida se revele e se manifeste. Por isso, hoje, com muita fé e alegria, celebramos esta manifestação de Deus a toda a humanidade. Portanto, é preciso que Ele se manifeste, não só aos gentios representados pelos Reis Magos, mas que Ele continuará a se manifestar no próximo domingo, quando aqui celebraremos o batismo do Senhor como Filho de Deus.
Ele se manifesta na encarnação na Galileia, quando realiza o primeiro milagre, segundo o evangelista São João. Ele se manifesta em cada gesto de amor e misericórdia com as pessoas que vai encontrando ao longo do caminho. E se manifesta de uma maneira ainda mais gloriosa no mistério da Paixão, Morte e Ressurreição, como foi proclamado aqui. Sim, queridos irmãos, é importante que Cristo nasça em cada solenidade que celebramos, em cada momento em que nos encontramos com esse Jesus.
Além disso, é fundamental que esse Cristo se manifeste não só na sua pessoa, mas também através das nossas vidas. Nós queremos ser manifestações do Senhor. Se assim não fosse, a nossa liturgia seria vazia. Por isso, se este Cristo se manifesta em nós nesta manhã, Ele quer ser manifestado em nossos corações. Assim como os pastores, também nós queremos nos deixar guiar por esse símbolo da estrela-guia, que sempre nos remete ao encontro da manifestação de Jesus.

Quando essa estrela-guia nos guiar ao longo do ano, as pessoas poderão contemplar, quem sabe, em cada um de nós, a manifestação de Deus. O nosso mundo anda muito carente de manifestações divinas. O que não nos cansamos de ver são manifestações da ordem de preferencialidade, como a de Herodes, que se distanciou. Ele queria iludir os Reis Magos com outras intenções. Portanto, é preciso que nos deixemos guiar por essa estrela-guia, a exemplo dos Reis Magos, para encontrarmos sempre o Salvador, com Maria, com José.
Ao nos encontrarmos com esse mistério tão profundo da humanidade, da pobreza do nosso Deus revelado no menino de Belém, não voltaremos pelo velho caminho. Buscaremos sempre novos caminhos, uma vida nova, uma vida ressignificada a partir do mistério da encarnação do Senhor. Sim, quem se encontra com Cristo, com José e com Maria, nunca volta pelo mesmo caminho.
Retorna por outro caminho, o caminho novo, o caminho de Jesus,que nos apresenta dizendo: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”.
Ouvimos hoje na primeira leitura a bela expressão do profeta: “A glória de Jerusalém para quem se levanta uma grande luz”.
Devemos nos alegrar neste dia, pois para nós se levanta o brilho daquele que se fez luz a partir da pobreza e da humildade. Esta luz brilha para todos nós, para dizer que todos nós, como afirma São Paulo na segunda leitura, temos a possibilidade da salvação e de participar desta grande herança divina.
Não é uma herança de valores momentâneos ou de bens, mas a herança da manifestação do amor de Deus. Somos co-herdeiros, como diz São Paulo, dessa herança e participantes do Evangelho e desta obra. Por isso, queridos irmãos e irmãs, para concluir, compartilho que devemos nos deixar orientar por três atitudes fundamentais. A primeira delas é estar atentos. Devemos estar atentos aos sinais de Deus, desejosos de adorar o Senhor com os Reis Magos.
A segunda atitude importante é a necessidade de procurar o amor, e não buscá-lo segundo o nosso gosto. Os Reis Magos nos ensinam que é preciso ir ao melhor, que devemos procurar o amor. Na luta onde ninguém esperava, encontramos Deus em um lugar simples e pobre. Este é o significado de onde devemos procurar Jesus também em nossos dias. A terceira atitude que podemos aprender com o Evangelho de hoje é partir sempre de novo.
Não podemos ficar estagnados, parados, de braços cruzados, esperando que as coisas divinas aconteçam. Sim, toda revelação de Deus é graça, mas essa graça exige de nós que partamos sempre para caminhos novos, sem trilhar apenas os velhos caminhos já conhecidos. Se guardarmos isso para nossas vidas e para o nosso ano, certamente algo de novo e maravilhoso acontecerá. Estejamos atentos, procuremos o amor e partamos sempre de novo.
Tenhamos coragem, meus irmãos, e caminhemos juntos com fé.
Amém!

Frei Fidêncio Vanboemmel, OFM